O silêncio do tempo |
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| Francisco Dandão
Não deixo, porém, seja por saudade forçada ou por intimidade desejada, de manter um pé (o coração, as vísceras...) na província de Dom Luiz Galvez. Tanto isso é verdade que no fim de semana passado, sob o pretexto de apadrinhar o casamento do presidente Manoel Façanha, meti a carcaça num avião, voei a favor do fuso horário e fui parar nas origens. Assim, depois de, em São Paulo, ver duas vezes em ação a irregular Portuguesa de Desportos (empate contra o Palmeiras, em pleno sábado de carnaval, e derrota para o Barueri, uma semana depois), pude, finalmente, testemunhar (penso que essa e a palavra certa, tal o ínfimo número de pagantes em cada rodada) três partidas do campeonato acreano 2009. Primeiro, no decadente estádio José de Melo, onde a qualquer hora um vento mais forte pode fazer desabar o Vietnã, Independência e Vasco. Depois, na Arena da Floresta, dessa vez ao lado dos riobranquinos Márcio Parente, José Macedo, Natal Xavier e Pelegrino Apolinário, a rodada dupla entre Juventus e São Francisco e Plácido de Castro e Atlético. Embora nenhuma das seis equipes tenha enchido os meus olhos, penso que a maior decepção ficou por conta do Independência. O que eu vi foi um time totalmente desfigurado, distante anos-luz de qualquer chance de luta pelo título da competição. Jogadores (importados ou nativos, tanto faz) sem qualquer condição de vestir o sagrado manto tricolor. Um time tão ruim esse do Independência que nem a competência do técnico Marcelo Altino (demissionário logo após o massacre aplicado pelo Vasco), acostumado a tirar leite de pedra (por isso mesmo apelidado de “mago” pela imprensa esportiva), conseguiu fazer jogar alguma bola. Eu só queria saber onde é que o Independência vai buscar tanta “crueira”. Aliás, todo começo de temporada é a mesma coisa. A lista de reforços do Independência sai com estardalhaço em todos os jornais, emissoras de rádio e de televisão. No papel todo mundo tem um currículo quase perfeito. Mas aí é só a bola rolar para a torcida tricolor perceber que vai ser mais um ano de choro, lamentação e bandeira a meio pau. E para dar ainda mais saudade nos tricolores acreanos, só para efeito de comparação com o elenco atual, vou deixar aqui registrada uma equipe do Independência dos meados dos anos 70. Zé Augusto; Chico Alab, Deca, Palheta e Flávio; Escapulário, Aldemir e Júlio César; Bico-Bico, Bebé e Rui Macaco. Craques no silêncio de um tempo que jamais retornará! (Publicada em www.grandearea.com – 14 de março de 2009) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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