Francisco Dandão
 
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Esperando o imponderável

 
         
 

Francisco Dandão

mbora ninguém do Santos se atreva a dizer, é certo que muito dificilmente alguém no time da Vila Belmiro acredita que haverá alguma dificuldade para passar de fase na Copa do Brasil, eliminando o Rio Branco, do Acre, nesta quarta-feira. O discurso deles é de “respeito ao adversário”, mas só da boca pra fora, só de “migué”, como se diz na gíria.

     O raciocínio é simplíssimo: se esse mesmo Santos foi capaz de vencer o Rio Branco no jogo de ida, em plena Arena da Floresta, então, lógico, tal e qual a soma de dois mais dois são desde sempre quatro, em casa, com o apoio da sua apaixonada torcida, não somente se espera a eliminação como ainda uma goleada em cima do representante acreano.

     E essa certeza dos santistas provavelmente se tornou ainda maior depois que eles souberam que o Rio Branco anda tropeçando nas próprias pernas no campeonato estadual, apesar de alinhar nas suas fileiras o mais qualificado e melhor remunerado elenco do futebol seringueiro. Sim, porque empatar com o Plácido de Castro, pelo amor de Deus, meus sais!

     Como os santistas souberam? Ora, vamos e venhamos... Na era da globalização, nada mais se pode esconder. Um click no computador e todas as sombras se esvaem, todos os segredos se revelam. Um jornalista amigo meu que circula pela Vila Belmiro me garantiu que todos os dias os caras acessam o “grandearea.com”. Sabem de tudo e até um pouquinho mais.

     Tudo bem que esse empate contra o Tigre (felino atualmente sem dentes nem garras) do Abunã não foi capaz de causar grandes transtornos na campanha estrelada, tá certo que o Rio Branco já se garantiu nas semifinais do primeiro turno, tá certo que tudo está sob controle etc. e tal. Mas nada justifica empatar com um time que levou de cinco três dias antes.

     Além do mais, para quem não sabe (será que alguém não sabe?), dois moleques do Santos andam, literalmente, “comendo a bola”: um paraense chamado Paulo Henrique, levado para a vila pelas mãos do antigo ídolo Giovanni; e um paulista chamado Neymar, cria da casa. Minha Nossa Senhora, como jogam essas criaturas! Dois mágicos com a bola nos pés!

     Sim, eu sei que em futebol não se ganha na véspera, que o destino costuma castigar os descuidados, que o instituto da zebra ainda vigora nos gramados brazucas, que há vinte macumbeiros ligados ao Corinthians acendendo velas e fumando charutos desde o mês passado... Mas, convenhamos, a única esperança do Rio Branco é apenas o imponderável!

     É isso que eu penso. Antes, porém, que algum torcedor riobranquino me faça percorrer o caminho do calvário e me sentencie à cruz, eu devo afiançar que, apesar de tudo, também torcerei fervorosamente para o Rio Branco nesta quarta-feira. Só não estarei na Vila Belmiro porque tenho compromissos em São Paulo até às 21h. Que Deus nos proteja... Amém!

(Publicada em www.grandearea.com - 17 de março de 2009)

 
         
         
 
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© Francisco de Moura Pinheiro