Palpite infeliz |
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| Francisco Dandão
Digo “finalmente” porque, para falar a verdade mesmo, dificilmente eu acerto um palpite. Quer ver acontecer tudo ao contrário é só me forçar a dar o meu prognóstico “abalizado”. Parece até brincadeira. É só eu tecer as minhas considerações para o negócio desandar e a zebra passear lampeira pelos gramados do planeta. No meu caso, o dito raramente é feito. Para se ter uma idéia de como eu sou um péssimo palpiteiro, de tanto que eu errei, já vai longe o tempo em que eu arriscava uma fezinha semanal na Loteca. Todas as minhas táticas para cercar a sorte nesse jogo se mostraram vãs. A zebra e a lógica me elegeram o seu contumaz “patureba”. Resolvi, então, levar a vida na esportiva e não mais jogar na loteria. A minha esperança, aliás, nesse jogo de quarta-feira, era que eu errasse mais uma vez o meu palpite e que o Rio Branco pudesse causar um “tsunami” na Baixada Santista. Deixar os súditos do rei Pelé literalmente afogados nas próprias lágrimas. Só agora, quando escrevo estas mal traçadas de hoje, é que me lembro que o símbolo do Santos é um “peixe”. Na noite de terça-feira, quando a minha percepção ainda não tinha atentado para o caráter anfíbio do Santos, a chuva que desabou sobre São Paulo me encheu de felicidade. Mas, infelizmente (para o resultado do jogo, entenda-se), não passou de uma grande enxurrada. Não trouxe mais do que alguma lama extra nas chuteiras dos jogadores paulistas. No primeiro tempo a defesa do Rio Branco até que ainda conseguiu evitar algum tipo de goteira ou vazamento. O problema, nessa etapa, é que o ataque do time acreano chegou muito pouco à frente, praticamente não incomodando o adversário. Fábio Costa, o goleiro da equipe paulista, quase não trabalhou. Pode-se dizer dele “um espectador dentro do campo”. O resultado desse assédio todo (um dos raros casos não tipificados como crime no Código Penal), como na história da insistente gota que fura de tanto bater, foram as sucessivas quedas da barragem riobranquina na etapa final do jogo. Quatro corredeiras fatais... Em grande parte, diga-se de passagem, por conta da insustentável leveza e graça do jovem Neymar... Finalmente, como eu disse no começo do texto, um dia acertei um palpite num jogo de futebol. A questão é que eu acertei justamente no dia em que eu queria errar. Tudo parece indicar que o melhor que tenho a fazer é evitar os palpites. Ou então dizer sempre às avessas. Nas minhas palavras, portanto, daqui pra frente, o que vale é o não dito. Ou vice-versa! (Publicada no site www.grandearea.com - 21 de março de 2009) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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