Francisco Dandão
 
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Atlético: razões e causas

 
         
 

Francisco Dandão

aprendi por esses dias, numa das minhas múltiplas e variadas leituras, que um filósofo está em busca de uma “razão” quando formula a pergunta “por quê”? E aprendi também que quando se trata de um cientista em busca de uma “causa”, a pergunta muda para “como”? Visíveis ou ocultas, sempre existem razões e causas, de acordo com as duas categorias.

     Pois bem. Juntando as perguntas do filósofo e do cientista é que me pego no momento em que escrevo tentando descobrir as “razões” e as “causas” da criação de um clube de futebol chamado Atlético Acreano, carinhosamente denominado pelos seus admiradores de Galo Carijó, cujo aniversário de 57 anos acontece justamente nesta segunda-feira, 27 de abril.

     Quando digo que tento descobrir as “razões” não me refiro à mera pesquisa documental, que me possibilitaria por as mãos em atas amarelecidas pelo passar do tempo, esquecidas na gaveta de algum dirigente (se é que um documento desse tipo ainda existe). Refiro-me à busca para tentar vislumbrar o que se passava na alma de cada fundador.

     E quando digo “causas”, não me refiro unicamente ao registro factual das partidas e dos títulos conquistados ao longo da trajetória gloriosa deste clube sediado no segundo distrito da cidade de Rio Branco. Isso pode até ser objeto de uma boa reconstituição, mergulhando-se em antigas coleções de jornais. Mas, refiro-me é ao pulsar do coração de cada torcedor.

     O que se passaria nas almas dos fundadores quando, por exemplo, resolveram que a cor do time seria o azul? Talvez inspirados num céu de abril, num dia de estio, quando do barranco da gameleira algum deles atento viu nuvens brancas ensaiando uma dança para o infinito? Ou a idéia seria a de um manto sagrado para guerreiros na procura do paraíso?

     O que se passou, ao longo desses anos todos, no coração dos torcedores? Que explosão de alegria foi aquela do campeonato de 1968, quando parecia quase impossível dobrar uma academia de jogar futebol chamada Juventus? Que lágrimas foram todas as que teimaram em rolar rostos abaixo nos dias de goleadas e humilhações, de tristíssima memória?

     Abstrações que invadem a minha própria alma e o meu próprio coração. Caminhada rumo ao horizonte sem sair do lugar... Círculos que se desfazem em nada, como no exemplo das camadas da cebola retiradas até o fim. A minha constatação, dada a tarefa proposta, é a de que o meu conhecimento, mesmo  que verdadeiro, jamais chegará perto do objeto.

     Alma e coração, terrenos movediços e insondáveis... Inacessíveis mistérios para a investigação de um cronista desprovido de qualquer ferramenta minimamente apropriada para uma escavação metafísica... Assim, diante do fracasso da minha procura por “razão” e “causa”, resta-me apenas o trivial “parabéns!” para todos os atleticanos do Acre. É isso!

(Publicada no jornal O Rio Branco - 26 de abril de 2009)

 
         
         
 
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© Francisco de Moura Pinheiro