Francisco Dandão
 
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O melhor Flamengo do Brasil

 
         
 

Francisco Dandão

a glomerações não fazem, necessariamente, a minha cabeça. Principalmente depois que eu li um livrinho chamado Psicologia das Multidões (Gustavo Le Bon). Se, por acaso, eu não tiver jeito de evitar uma multidão, podem ter certeza, vocês aí do outro lado deste texto, não sossegarei enquanto não sair do meio da massa humana que me aprisiona.

     Assim, dada essa neurose, quase nunca eu vou a um jogo de futebol envolvendo grandes torcidas. Finais de campeonato, então, nem pensar. Se for uma final de campeonato paulista, aí é que eu não vou mesmo. A simples possibilidade de me ver arrastado pela torcida do Corinthians (só a título de exemplo) arrepia as minhas entranhas e me enche de pavor.

     Diante do exposto (credo, parece até que estou escrevendo um memorando, né mesmo?), penso que fica fácil entender porque é que eu troquei a badalação do clássico deste domingo entre o aludido Corinthians e o Santos, na Vila mais famosa do futebol mundial, que me dava a chance de ver em ação Neymar e Ronaldo, por um jogo da série A2 do Paulistão.

     Dez horas da manhã, plena madrugada em se tratando de um domingo, lá estava eu na estrada rumo a Guarulhos, devidamente ciceroneado pelo jornalista Augusto Diniz (parceiro de página, tanto em O Rio Branco quanto em grandearea.com), para constatar o que poderiam fazer os “craques” do rubro-negro Flamengo e do azul Rio Claro.

     Meia hora antes do início do jogo, eu e o Augusto já estávamos na entrada do pequeno estádio Antônio Soares de Oliveira. O porteiro abriu um sorriso largo quando eu mostrei a minha carteira da Abrace. Sorriu e deu passagem todo cerimonioso. Melhor do que na Arena da Floresta, pensei, onde eu já fui barrado várias vezes com a mesma credencial.

     Dentro do estádio, uma festa semelhante àquelas proporcionadas às grandes equipes. Foguetório, charanga, torcidas organizadas, xingamentos contra o trio de arbitragem (antes mesmo das referidas criaturas entrarem em campo), cerveja (liberadíssima), palavras de ordem e musiquinhas gaiatas (por exemplo: - Puta que o pariu, é o melhor Flamengo do Brasil).

     No campo de jogo, entretanto, apesar da musiquinha, o Flamengo não foi tão bem assim. Embora dominando a partida, não soube ganhar do Rio Claro. Ao final, o zero a zero parece ter deixado um gosto amargo na boca dos locais. O jeito como os jogadores das duas equipes deixaram o gramado é que sugeria isso: os vermelhos cabisbaixos e os azuis saltitantes.

     Para concluir, só mais uma observação: a rua em que está situado o estádio do Flamengo de Guarulhos se chama Bezerra de Menezes. Trata-se de uma homenagem ao médico cearense, famoso pela sua militância no movimento espírita brasileiro na segunda metade do século XIX. O time, então, pode ficar tranqüilo: se morrer já há quem psicografe a sua história.

(Publicada no site www.grandearea.com - 28 de abril de 2009)

 
         
         
 
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© Francisco de Moura Pinheiro