Francisco Dandão
 
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Passes de letras

 
         
 

Francisco Dandão

troco e-mails por estes dias com o meu compadre José Augusto Fontes, torcedor juventino dos mais apaixonados, autor do livro Páginas da Amazônia – Proseando na Floresta. Falamos do futebol acreano de antigamente. Passes de letras para lembrar antigos craques que deliciaram as nossas tardes de domingo num passado que começa a se alongar.

     Os e-mails começaram justamente por conta de uma crônica em que ele tece considerações a respeito do recente título de campeão estadual conquistado pelo Atlético Clube Juventus, depois de muitos anos (treze, para ser exato) de jejum. Texto em que o Zé (quebrei a formalidade da pia batismal) aproveita para escalar a sua seleção acreana de todos os tempos.

     Para o meu compadre, não existiram craques mais completos no futebol acreano do que, pela ordem, do goleiro ao ponta-esquerda, usando-se o 4-3-3, Tinoco; Mauro, Curica, Deca e Duda: Emílson, Mariceudo e Dadão; Bico-Bico, Arthur e Touca. À exceção de dois (Curica e Bico-Bico), todos os outros, em algum momento, vestiram a camisa do Juventus.

     Respondi ao compadre com uma outra seleção acreana de todos os tempos, apenas com nomes que não figuravam na lista dele, só para reafirmar a idéia de que foram tantos os nossos grandes jogadores que fica impossível escalar apenas onze. E nem precisei pensar muito. O pensamento fluiu ligeiro, apressado como um raio em noite de tempestade.

     E aí escalei o meu time com Zé Augusto (o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, não o compadre, evidentemente): Chico Alab, Neórico, Mozarino e Antônio Maria; Zé Cláudio, Euzébio e Guedes; Nemetala, João Carneiro e Aldemir Lopes. Grande parte dos quais, também, coincidentemente (ou não?) brilharam com a camisa do Juventus.

     Veio a tréplica. Nesse ponto o meu compadre Zé Augusto não economizou. E então, ao invés de escalar uma terceira seleção, escreveu uma longa relação de ex-jogadores, fazendo-me relembrar cenas que já se esmaeciam na minha memória. Cenas de um tempo em que o hoje decadente “Stadium” José de Melo nos era tão especial quanto o Maracanã.

     Essa longa relação a qual eu me refiro pode ser conferida na edição deste domingo do jornal Página 20. Quem tiver a curiosidade de checar, vai ver que tem nomes para todos os gostos: de super craques a esforçados, passando por outros que tanto, dependendo de momentânea inspiração, podiam executar uma partitura quanto simplesmente carregar um piano.

     Mas, o certo é que, independente da menor categoria de alguns, o que interessa é o fato de que no Acre já existiu um futebol capaz de mobilizar verdadeiras multidões de fanáticos. Para finalizar, uma seleção de nomes que não constam na lista do Zé. Jone; Zé Alab, Escurinho, Flávio e Otávio; Viana, Hélio Fiesca e Babá: Danilo Galo, Madureira e Ailton...!

(Publicada no site www.grandearea.com - 16 de maio de 2009)

 
         
         
 
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© Francisco de Moura Pinheiro