Francisco Dandão
 
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O tamanho da bola

 
         
 

Francisco Dandão

as manchetes dos jornais, assim como as chamadas das emissoras de televisão e de rádio, foram quase unânimes em afirmar que o técnico (?) Dunga provocou várias “surpresas” ao anunciar, semana passada, a convocação da seleção brasileira para os próximos jogos das eliminatórias (contra Uruguai e Paraguai) e para a Copa das Confederações.

     Li os nomes de cabeça para cima, de cabeça para baixo, da esquerda para a direita e vice-versa, mas não entendi onde é que cabiam tantas surpresas assim. Nilmar, do Inter; André Santos, do Corinthians; Ramires, do Cruzeiro; e o goleiro Victor, do Grêmio... O que é tão surpreendente, se eles todos estão jogando o fino da bola nos seus respectivos clubes?

     O atacante Nilmar, por exemplo, um dia desses, muito recentemente, driblou mais de meio time do Corinthians para fazer um gol antológico no Pacaembu, na primeira rodada do campeonato brasileiro. Comenta-se que algumas daquelas criaturas que foram dribladas pelo Nilmar até hoje não conseguiram fazer a coluna voltar para o lugar. Então, cadê a surpresa?

     O lateral André Santos, à maneira dos mais categorizados alas que já passaram pelo futebol nativo, tem mantido uma ótima regularidade nos últimos tempos, defendendo e atacando com igual desenvoltura. Tão desenvolto que chega a irritar o “cauteloso” técnico Mano Menezes, dito cujo para o qual defender ainda é o melhor remédio. Qual a surpresa?

     O volante Ramires, mesmo ainda muito jovem, é a mais nova prova de que não precisa ser nenhum “brucutu” para jogar na referida posição. Desarma com elegância, passa com precisão e ainda aparece na frente para concluir. Magrinho, aparentando uma enorme timidez, em campo é um protótipo de jogador moderno. Mais uma vez, não encontro a surpresa.

     E o goleiro Victor, eu diria que já demonstrou sobejamente estar inserido naquela condição dos antológicos goleiros que é capaz, como se dizia antigamente, de pegar até pensamento. Uma muralha dos pampas, ao qual se deve creditar grande parte do sucesso do time gremista na atual edição da Taça Libertadores da América. Nenhuma surpresa, portanto.

     Para falar a verdade, em se tratando da seleção brasileira, só me ocorrem duas surpresas. Uma: o convite para o Dunga dirigir a equipe, uma vez que ele não tinha nenhuma experiência anterior como técnico. Duas: como ele se mantém há tanto tempo no cargo, mesmo sem até a presente data haver minimamente esboçado alguma confiança para nós, “paturebas”.

     Fora isso, surpresa vai ser os novos convocados entrarem em campo nos jogos que virão. Para mim, eles vão é, quando muito, servir de aquecimento para o banco de reservas. O que será um pecado, levando-se em conta que a bola da moçada que está jogando como titular, não é segredo pra ninguém, anda do tamanho de uma petequinha “carambola”...

(Publicada no site www.grandearea.com – 26.05.2009)

 
         
         
 
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© Francisco de Moura Pinheiro