Francisco Dandão
 
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Tabefes, cocorotes e safanões

 
         
 

Francisco Dandão

se um campeonato de futebol fosse como uma luta de boxe, a gente poderia dizer que o nosso glorioso Rio Branco começou a série C de 2009 levando um tabefe na cara no primeiro “round”. Tabefe esse que faz o lutador acreano ficar atrás de dois dos outros boxeadores (o Paysandu, de Belém, e o Águia de Marabá) na contagem da banca de jurados.

     A sorte é que foi, de fato, apenas um tabefe. Nada tão contundente, eu diria. Nenhum coice de mula, capaz de levar a estrela rubra à lona. O juiz do combate não chegou sequer a abrir contagem. Um a zero magro que, apesar de legar três pontos aos paraenses, não se pode dizer que tenha causado algum tipo de estrago definitivamente danoso ou irreversível.

     E menos mal também que se tratou tão somente de um primeiro “round”, como eu disse no primeiro parágrafo, em um confronto programado para oito. Em outras palavras: o Rio Branco pode (tudo é possível, né?) muito bem se reabilitar e aplicar sete pancadas nos inimigos que ainda terá pela frente (inclusive no próprio Águia, no jogo da volta).

     Claro, eu sei, eu sei... De tabefe em tabefe, levando um cocorote aqui, um safanão acolá, mesmo que as bordoadas desferidas pelos adversários não tenham o poder de abrir nenhum supercílio ou, continuando essa metáfora, de fazer o Estrelão dobrar os joelhos, ainda assim, a soma de tudo levaria fatalmente ao desastre da desclassificação.

     Então, dado isso mesmo, por conta da soma maléfica que pode ser causada por uma seqüência de anódinos tabefes, cocorotes e safanões é que o Estrelão precisa, urgentemente, fazer valer a sua tradicional força, já a partir do segundo “round”, marcado para este último domingo de maio, na Arena (epíteto mais do que apropriado nesse meu raciocínio) da Floresta.

     O adversário é, deveras, pra lá de enjoado. Em todas as partidas jogadas no ano passado, o Luverdense encarou o Rio Branco de igual para igual. Mesmo jogando em terras acreanas, embora jamais tenha logrado êxito, o time mato-grossense deu um trabalho medonho. Mas a essa altura, por já ter levado um tabefe, é preciso que o Estrelão vá direto pro pau!

     Manter a guarda levantada, para não deixar entrar nenhum golpe traiçoeiro, é uma providência muitíssimo interessante. Mas eu ainda sou daquelas criaturas adeptas da premissa (tanto no futebol quanto no boxe) de que a melhor defesa é o ataque. Não deixar o inimigo respirar. Bater no fígado, minar a resistência dele até conseguir acertar a ponta do queixo.

     É isso. Que o Rio Branco possa fazer desse jogo uma dança de alegria (em torno do adversário e depois da partida) para festejar o primeiro de uma série de nocautes... Que o Rio Branco possa se inspirar no Mike Tyson dos primeiros tempos, quando este passava sobre os outros lutadores como um trator de esteira... Só não deve dar até sair sangue. Isso não deve!

(Publicada no site www.grandearea.com - 30 de maio de 2009)

 
         
         
 
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© Francisco de Moura Pinheiro