Francisco Dandão
 
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Uniformes trocados

 
         
 

Francisco Dandão

quatro a três foi o placar de Brasil e Egito, na estréia brasileira na Copa das Confederações. Quatro mais três são sete. O número sete está presente em muitos aspectos da cultura ocidental. Os dias da semana são sete. Os pecados capitais também são sete. As maravilhas do mundo igualmente são sete. E até uma conta de mentiroso termina com o sete.

     Pois então, pegando por esse último aspecto (o da conta do mentiroso) é que eu quero dizer alguma coisa sobre mais essa atuação abaixo de qualquer crítica dos comandados do Dunga. Uma atuação que nem por um mísero momento que fosse, convém registrar, lembrou o jogo da semana passada contra o Paraguai. Coisa pra lá de doida mesmo...

     Era mentira, por exemplo, que o atacante dos adversários se chamava Zidan. O egípcio se chamava Zidane (igual ao francês que detonou o nosso time na final da Copa de 1998). Faltava uma letra no nome da criatura. Os defensores brasileiros não acreditaram que era mentira... Caíram no logro e o sujeito fez a festa. Pintou, bordou, marcou e correu para o abraço.

     Também era mentira aquela comemoração dos egípcios a cada vez que eles vazavam o goleiro Júlio César. Não era verdade que eles, ao tocarem a cabeça no chão estivessem rezando para Alá. Eles estavam, de verdade, era mostrando o bumbum para os craques milionários do Brasil. De bunda pra cima, eles diziam que se lixavam para os pentacampeões.

     Igualmente era mentira cada nome de jogador do Egito: Hosni, Assan, Terika, Shawki etc... Tudo papo furado. Os sujeitos daquele time de vermelho que deram o maior sufoco no Brasil, se chamavam, com absoluta certeza, Ramsés, Menés, Tutankamon, Sisaque, Marduk e Amenu. Quatro faraós e dois bruxos, um dos quais já jogou até pelo acreano Andirá.

     Outra mentira: o pênalti no último minuto, marcado contra a seleção egípcia. Primeiro, o árbitro marcou escanteio. Depois voltou atrás, supostamente avisado do erro pela percepção de algum dos seus auxiliares de campo. Descobriu-se posteriormente, de acordo com o depoimento dos africanos, que o juiz foi avisado com base em imagens de televisão...

     Mais uma mentira seria a de que os jogadores brasileiros jogaram com chuteiras de travas normais e de “cara limpa”. A verdade, segundo esse meu raciocínio, a julgar pelo péssimo desempenho do time amarelo, seria a de que as travas estavam excessivamente altas e os jogadores usavam máscaras (fora do período carnavalesco isso é fatal!)...

     Fora todas essas mentiras, há ainda várias suspeitas: o placar teria sido acordado por diplomatas, para ninguém ficar chateado; os egípcios teriam prometido doar duas pirâmides para o Brasil, caso não fossem goleados etc. e tal. Mas a maior das suspeitas é a de que os times jogaram com os uniformes trocados. Nós de vermelho e eles de amarelo. Vai saber...

(Publicada no site www.grandearea.com – 16 de junho de 2009)

 
         
         
 
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© Francisco de Moura Pinheiro