A lógica da gangorra |
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| Francisco Dandão
Ressalte-se que eu não estou falando somente de resultado, ou da frieza dos números (mentirosos, às vezes) do placar. Falo de desempenho, de exibições convincentes, daqueles espetáculos que enchem os olhos da gente, que nos fazem babar de felicidade. Falo de pés de valsa evoluindo pelo gramado, carregando a bola nos braços com a intimidade dos amantes. Vou lembrar, a propósito desse meu argumento, só os últimos quatro jogos, a começar por aquele do Uruguai, a quem o Brasil goleou por quatro a zero. Goleou, mas, absolutamente não convenceu. Levou o maior sufoco e se não fosse a atuação do goleiro Júlio César, poderia ter tomado tantos gols quantos marcou. Não jogou nadinha mesmo, necas de pitibiriba! Depois, como todos ainda devem lembrar, foi aquele baile nos descendentes do general Solano Lopez. Às margens do rio Capibaribe, o magro dois a um nem de longe espelhou o que foi a partida. Domínio total e absoluto do Brasil, numa noite em que o gordinho Cabañas, algoz dos nossos times ultimamente, teve de se contentar em ver o frevo passar. O Egito, na seqüência, parecia uma verdadeira baba. Não foi. Ao contrário, a vitória só veio com um pênalti marcado pela tecnologia. Não fossem as imagens mostradas pela televisão, os africanos teriam ensaiado uma dança da chuva na cabeça dos brasileiros. Bife de pescoço de camelo no jantar dos pentacampeões. Ganhou, mas voltou a jogar coisa nenhuma. Aí vieram os Estados Unidos. Outra bela exibição dos amarelos. Claro, era apenas os Estados Unidos. Nada de tão temerário assim. Só faltava mesmo se enrolar contra uns sujeitos de um país cuja preferência esportiva é o beisebol, aquele jogo sem graça em que os atletas fazem suas acrobacias com um pau na mão. Só faltava se enrolar com os americanos... (Abrindo-se aqui um longo parêntese, naturalmente seria o cúmulo deixar, sequer, que a seleção dos Estados Unidos gostasse do jogo. Além da falta de jeito, com aquelas cinturas duras e os pés de pato, eles ainda estão amargando uma enorme recessão, vendendo o almoço para poder jantar. Obama caça moscas na televisão enquanto os marines apanham no Iraque). Por esse raciocínio de sobe e desce, então, neste domingo é dia do Brasil se enroscar contra os italianos. E ainda tem mais uma coisa... Além da lógica da gangorra, os comedores de macarrão (pizza também), depois de levarem uma pancada inesperada dos filhos do faraó Ramsés III, precisam descontar no primeiro incauto que aparecer pela frente: nós. Eca! (Publicada no site www.grandearea.com - 20 de junho de 2009) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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