Francisco Dandão
 
Principal    Depoimentos    Obras    Textos     Crônicas     Entrevistas    Biografia    Fotos    Contato
   
         
 

Mordomo e verba indenizatória

 
         
 

Francisco Dandão

escrevi na crônica passada que a seleção brasileira era mais ou menos como uma gangorra: um jogo bom e outro ruim. Aí as criaturas resolveram me desmentir e mandaram bem por dois jogos consecutivos. Gostaram do ventinho gelado abanando a cara, no lado de cima da roda-gigante. Do alto o horizonte se expande. Pode-se enxergar mais longe

     E olhe que dar duas lapadas seguidas, nesses tempos bicudos (ou mascarados) de gripe suína, é uma verdadeira façanha. Não é pra qualquer um não. Os italianos que o digam. Campeões do mundo, eles perderam até o rumo de casa. Vão levar o rolo de macarrão das mamas no lombo quando chegarem a Roma. Isso se a máfia não os pegar pelo pescoço no caminho.

     Mas, precisamos continuar desconfiados. Com um sujeito que tem nome de anão de conto de fadas, e nenhum sobrenome, é preciso estar sempre em alerta. Não baixar as armas jamais. Cochilar, numa hora dessas, nem pensar. O Cabo da Boa Esperança (relembro as aulas de geografia do ginásio) está ali perto mesmo para afundar os navios desprevenidos.

     Aliás, nesses assuntos de seleção, tanta é a minha desconfiança, que eu faço como o personagem da charge. Em resposta à frase do seu interlocutor, que afirma já estar quase gostando do Dunga, ele diz: - Eu também, mas se me perguntarem eu nego até a morte! Morrer negando talvez seja o mantra certo para invocar os espíritos da vitória a cada jogo.

     Sim, eu sei que a África do Sul, o adversário desta quinta-feira, não tem nenhuma tradição no futebol. E sei também que a maior arma deles é o som que sai daquelas cornetas insuportáveis (Joel Santana, o brasileiro técnico de lá, já disse que elas não irão parar um só instante). Mas não há jogo que se ganhe na véspera. O Brasil pode muito bem voltar ao normal.

     Às vezes, de onde menos se espera é que sai a coisa feia. Vide o Egito, que nos deu o maior calor na estréia da Copa das Confederações. Quatro a três suados, só materializados no minuto final, e graças a um pênalti “mandrake”, marcado pela câmera da televisão. Nem todo dia é dia santo, assim como nem toda sexta-feira é treze. Escrevo e bato na madeira.

     Prova disso que estou dizendo, que não se ganha na véspera, é o próprio Egito, citado no parágrafo anterior. Quem imaginaria que eles levariam aquela cacetada dos Estados Unidos, hein? Os egípcios deram o maior sufoco no Brasil, que ganhou fácil dos ianques, e deu no que deu. Amarraram o camelo na sombra e foram tosquiar odaliscas. Sifu...

     Então ficamos assim. Vamos torcer pelo Brasil mais uma vez, mas sempre com um dos pés bem apoiado no sentido da retaguarda. E querem saber mais? Para mim, técnico da seleção brasileira deveria ser escolhido em eleição direta, do mesmo jeito que a gente faz com os cargos políticos. Assim, ele teria direito a mordomo e verba indenizatória... Não seria legal?

(Publicada no site www.grandearea.com - 24 de junho de 2009)

 
         
         
 
VOLTAR Voltar
 
TOPO   IMPRIMIR   ENVIAR E-MAIL 
© Francisco de Moura Pinheiro