Bolo fecal |
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| Francisco Dandão
Agora, no jogo da volta, o Rio Branco é obrigado a dar o troco. Se possível cobrando juros e correção monetária dos paraenses. Fazer o dever de casa é essencial num tipo de competição com esse perfil. O Paysandu tem feito o seu dever de casa. Ganhou todos os seus jogos em Belém. Sampaio Correa, Rio Branco e Águia de Marabá sabem disso muito bem. A situação do Paysandu na tabela, levando em conta o seu sucesso em casa e um pontinho que ganhou fora (empate com o Águia), é bastante confortável. Já o Rio Branco, que não conseguiu pontuar quando viajou (perdeu do Águia e do Paysandu), este precisa continuar o seu desempenho na capital acreana e, evidentemente, beliscar algo fora dos seus domínios. Dados todos os quadrados dos catetos das hipotenusas envolvidos na fórmula cabalística que define um tipo de confronto como esse entre Rio Branco e Paysandu, o que resta para ser especulado quanto ao resultado do jogo é um sonoro e redondo zero elevado ao cubo. Traduzindo: absolutamente nada é possível antecipar quanto ao placar e ao vencedor. O que a gente pode falar é do passado (imutável, é verdade, mas dissolvido para sempre nas areias do tempo). E este (o passado) diz duas coisas cristalinas. Uma: o Paysandu tem uma história recheada de glórias, inclusive de ter jogado uma Libertadores da América. Outra: o Rio Branco tem frequentemente levado a melhor quando joga em seu território. Sobre embates entre o Paysandu e os times locais, eu lembro de dois antológicos. Ambos envolvendo o Independência. Um deles, na segunda metade dos anos de 1970 (um a um). O outro, nos anos de 1990 (três a um pra nós). Bico-Bico, no primeiro, e Arthur, no segundo, deixaram os caras de olhos esbugalhados. O Arthur, aliás, virou algoz contumaz do Paysandu. Fora isso, para que ninguém venha dizer que o velhinho aqui não gosta de falar de flores (sei, o Vandré já se deu mal nessa), eu quero lembrar só mais dois detalhes dessas duas equipes que se enfrentam nesse domingo sob o calor do anoitecer amazônico: o Rio Branco atende pelo epíteto de Estrelão do Norte; o Paysandu é chamado de Papão da Curuzu. Estrelão, por causa da estrela vermelha (igualzinho ao símbolo que brilha no alto da bandeira acreana) com a qual o Rio Branco ornamenta o manto sagrado que os seus jogadores vestem para defendê-lo. Já esse Curuzu, meus caros, nem queiram saber... Segundo o “Aurélio”, Curuzu significa “bolo fecal”. Quem duvidar que trate de cheirar! Eca! Tô fora... (Publicada no site www.grandearea.com - 11 de julho de 2009) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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