Céu amarelo |
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| Francisco Dandão
A minha (cada vez mais) distraída observação já me fez vivenciar muitos desses momentos em que tudo, como num passe de mágica (no caso dos que obtém o sucesso), ou como na materialização de uma praga (no caso dos derrotados), se transforma num átimo de segundo. O que era sólido se transforma em pó e o que era vento vira matéria palpável. Diante das alternâncias do jogo, todo um cuidadoso planejamento, assim como toda uma minuciosa estratégia, se esvai pelo ralo do imponderável. Parecia tudo absolutamente certo para que um resultado chegasse, o outro lado era uma daquelas babas que só se encontra uma vez na vida e, no entanto, no correr dos minutos tudo deu totalmente errado. Aquela seleção brasileira da Copa do Mundo de 2006, por exemplo, com tanta gente boa (e badalada), quem, em sã consciência imaginaria que ficaria pelo caminho, tropeçando na mesma pedra que já lhe causara uma queda em 1998? Nem nos pesadelos mais absurdos (causados por uma boa feijoada deglutida no meio da noite) a gente poderia imaginar o desastre. Ou então, saindo do mais amplo geral para uma situação mais aqui pertinho da gente, quem imaginaria que o Rio Branco perderia para o Águia de Marabá, dentro de casa (onde estava invicto até então), iniciando um irreversível processo de degeneração no campeonato brasileiro da série C do ano passado? Difícil de imaginar até na mais delirante ficção. Por último, para chegar onde eu estou querendo desde o começo da crônica, quem haveria de imaginar que o simpático Cruzeiro, das “Minas” mais “Gerais” que a história da América já registrou, deixaria escapar por entre os dedos a chance de mais uma vez ser campeão continental, depois de ter empatado o primeiro jogo fora de casa? Quem poderia imaginar? E ainda mais, para piorar as coisas, como se não bastasse ser derrotado em casa, logo para um time argentino. Foi o próprio caldeirão fervente do demônio cozinhando os miolos de quem estava a pouquíssimos passos do paraíso. Azul da cor do céu, o Cruzeiro amarelou a camisa, e nós, patetas da arquibancada, nos quedamos impotentes e roxos de vergonha. É isso. No futebol, assim como na vida, quando tudo parece perdido, a imponderável mão do destino pode fazer pender o fio da espada para o nosso lado. Igualmente, dado que não existe moeda de uma única face (a não ser que seja viciada), quando tudo parece absolutamente certo, trovões podem despencar sobre a nossa cabeça. E o texto volta para o começo... (Publicada no site www.grandearea.com - 18 de julho de 2009) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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