Máscaras eternas |
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| Francisco Dandão
Uma das primeiras máscaras, creio, deve ter sido a empregada nas apresentações teatrais. Para que o ator não precisasse ficar fazendo muitas caras e bocas, ele já surgia em cena com a máscara que representava o perfil da personagem em evidência. Assim, logo à primeira vista o espectador já sabia se aquele determinado tipo era o mocinho ou o vilão. Uma outra máscara, dessas que já anda por aí há muitíssimo tempo, é a que cobre o rosto dos bandidos. Para sair de um assalto sem ser reconhecido, todo mundo sabe disso, é vital que o rosto do lunfardo não esteja visível. Nesse caso, o que mais conta é a criatividade do usuário, que, normalmente, lança mão até da meia-calça suja e velha da mulher amada. Muitos heróis, também, principalmente nas histórias em quadrinhos e nas telas do cinema, aderiram ao recurso da máscara para combater os maus elementos e distribuir justiça aos menos afortunados. Batman, Robin, Zorro, Fantasma, Homem Aranha, Homem de Ferro, entre outros que eu não lembro no momento em que escrevo, cobriram o rosto em nome da lei. Fora essas, existem, ainda, máscaras de muitos outros tipos: a da felicidade, usada especialmente no período do carnaval; a de metal, usada para a proteção de operários; a de borracha, usada por mergulhadores; a de tecido preto, usada por mulheres muçulmanas; a de seda, usada no processo de serigrafia; o molde, usado para tirar o rosto dos cadáveres... etc. e tal. Aliás, por falar nisso, um amigo meu do Ceará (onde espaireço por duas semanas), desses sujeitos que conseguem, apesar da crise planetária, ser mordaz sessenta segundos por minuto, falando sobre o assunto, garante que a máscara é tão importante que até a genitália nossa de cada dia já aderiu à moda, só visitando sites terceiros com a devida indumentária. Este objeto ancestral é tão importante que nos dias correntes, pleno século XXI, com o átomo devidamente domesticado, com o sofrer do parto potencialmente eliminado e com toda a tecnologia a serviço do nosso lazer, ainda aparece como peça fundamental do vestuário pós-moderno. É o medo da gripe suína que coloca a máscara na cara de muita gente boa por aí. Todas as máscaras, como a gente pode ver no desenrolar do texto, são (ou foram) importantes na história humana. Quer dizer, todas, menos uma. Justamente uma que eu não citei, mas que cito agora: a usada por alguns jogadores de futebol. Essa só serve para fazer o time se ferrar. A torcida do Fluminense que o diga. Melhor dizer ou se calar para sempre? (Publicada no jornal O Rio Branco - 22 de julho de 2009) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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