No limite |
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| Francisco Dandão
A questão é que todo mundo quer ser feliz ao mesmo tempo. E então, como só um dos lados pode ganhar de cada vez (a não ser que a partida termine empatada - fato que às vezes desagrada as duas partes), enquanto a metade dos envolvidos na disputa goza as delícias do paraíso, a outra metade desce ao sétimo círculo do inferno após a respectiva disputa. Aliás, antigos alfarrábios praticamente desconhecidos relatam que os perdedores das primeiras partidas da história, nesse tempo dos chineses, como castigo serviam literalmente de bucha de canhão, uma vez que tanto o futebol quanto a pólvora foram inventados na mesma época, precisando, ambos os esportes citados, dos aperfeiçoamentos técnicos de praxe. Por conta dessa tradição toda é que neste domingo, na Arena da Floresta, no confronto entre Rio Branco e Águia, valendo uma vaga para a fase seguinte da série C, vai ser mais um desses dias em que toda a honra e toda a glória se destinarão ao vencedor, enquanto que o perdedor vai ter que roer os ossos da humilhação e procurar explicações para o seu fracasso. As duas equipes chegam a essa rodada final separadas por apenas dois pontinhos, a favor do Águia. Isso significa que os paraenses entram em campo podendo empatar para seguir em frente na competição. E isso significa também que o Rio Branco precisa vencer, não somente para seguir em frente como também para se livrar da foice do rebaixamento. Pelo que eu li nos sites sobre a preparação das duas equipes, o Estrelão vai para a “arena” confiando na força da sua torcida. Para tanto, serão distribuídas milhares de bandeiras nas cores vermelha e branca. Já no Águia, a arma é a palavra do técnico João Galvão. Conversas de pé de ouvido teriam substituído nesta semana os treinos técnicos e táticos. Ou seja: o Rio Branco vai usar as laterais do campo para agitar as suas bandeiras (o bandeirinha Mário Jorge está fora dessa, viu?) rumo ao gol inimigo, enquanto o treinador paraense vai gastar o verbo (se ele for daqueles que cospe quando fala, o pessoal do banco de reservas tá ferrado...) para fazer os seus defensores segurarem o tranco lá atrás. Como diz o meu prezado amigo e afilhado Manoel Façanha, nas ocasiões em que a situação fica feia e qualquer prognóstico configura-se excessivamente arriscado, “vai feder a chifre queimado” nesta boca de noite na Arena da Floresta. “Quem for podre que se arrebente”, citando agora o jornalista político Antônio Muniz. “Desde que sejam eles”, digo eu. (Publicada no site www.grandearea.com – 01 de agosto de 2009) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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