Terra, fogo, água e ar! |
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| Francisco Dandão
A simples menção de pegar um avião e voar já costuma mexer com os nervos do elenco (e do torcedor também, que o resultado afeta, como se sabe, a todos com a mesma intensidade) do Estrelão. Saiu daqui pra ali e tudo se volta contra o time acreano. Qualquer adversário nem tão perigoso assim acaba se tornando bicho-papão da pior espécie de assombração. Diante da possibilidade de cruzar a ponte sobre as “águas” do rio Acre para jogar na Arena da Floresta, mesmo que alguma “chuva” se faça presente (desde que sem granizo, uma vez que tudo em demasia acaba causando estragos), tudo bem. Nenhum problema. O batelão riobranquino passeia sereno, sem temer correnteza, cachoeira, repiquete ou alagação. Na sua própria “terra”, o que o Rio Branco costuma fazer mesmo é botar “fogo” no rabo do cometa alheio, para dourar a pele dos adversários, antes de servi-lo em pedaços dispostos em bandejas vermelho e brancas, diante dos olhos maravilhados da sua torcida cada vez mais apaixonada. Com os pés bem plantados no chão, quem manda no pedaço é o Estrelão! O roteiro deste ano tem sido assim, sem tirar nem por nem um “tantim”. Quatro lapadas no lombo fora dos seus domínios, depois de varar as nuvens amazônicas. Em compensação, quatro coleções de vísceras sanguinolentas de inimigos desprevenidos (como naquela história do falso morto que jantava o coveiro) jazem hoje adubando o gramado da Arena. Eu até sugeri numa crônica passada que seria inteligente por parte do Rio Branco, nessa toada de perder todas fora depois dos vôos de praxe (morar num país desse tamanho dá nisso, né mesmo?), que o time nem viajasse mais. Se fosse possível fazer só o segundo jogo, seria perfeito. Dava dois gols de vantagem para os adversários e depois goleava na volta. Toda vez que precisa voar, nem reza de padre velho tem dado algum jeito no futebol dos acreanos. Quando a bola rola parece que todo mundo esquece o que se deve fazer. Mas na sua “terra”, faça chuva de “molhar” as cabeças ou faça sol de “queimar” os ossos, rojões ao céu e bandeiras ao vento, é uma festa atrás da outra. Populacho feliz, série B bem ali na janela. Claro, para subir de divisão, ainda tem um grandíssimo problema pela frente, que é justamente enfrentar uma equipe de apelido ASA. Péssimo negócio. O Estrelão não se dá bem com o elemento “ar” e pega logo um adversário batizado com o principal acessório de todos os bichos nascidos para voar. Confesso que não gosto nem um pouquinho disso... (Publicada no site www.grandearea.com - 7 de agosto de 2009) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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