Ingresso simbólico |
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| Francisco Dandão
Para se ter uma idéia de como a coisa foi dramática, no final do jogo, consumado o resultado, o Paulo Henrique teve até uma crise de amnésia, pedindo ajuda ao Deise Leite para lembrar quem havia marcado o gol do Rio Branco. Torcedor apaixonado como poucos, eu fico imaginando a angústia vivida pelo Paulinho, vendo a fúria do ASA pra cima do Estrelão. Sem contar que, a julgar pelas palavras do Deise, deve ter sido uma partida de dois bandos desesperados para estraçalhar a bola, jamais para tratá-la com o carinho que merece uma deusa tão pródiga em nos dar prazer e alegria. Foram tantas as vezes que o Deise disse que os jogadores davam “tapas” na bola, que eu penso que a coitadinha saiu com a cabeça em fogo. Já o Aníbal, a impressão que as suas intervenções me causaram é a de que ele desejou ardentemente ter em mãos algum tipo de varinha mágica que tivesse o poder de acelerar o tempo. A voz do Aníbal não demonstrava a emoção do narrador e do repórter torcedores. Mas, pelo que ele dizia, o tempo era como uma imagem congelada no espaço, se negando a passar. Independente, porém, do sufoco, o que sobra ao final de uma partida de futebol, aquilo que de fato passa para a história, é a contabilidade. E a contabilidade, o que ela diz para o Brasil é que o Rio Branco conseguiu empatar na casa de um adversário que havia vencido todos os jogos na condição de mandante. Um jogo de muita superação para os acreanos. Assim, seguindo-se o regulamento da competição, basta ao Estrelão um empate sem gols, no jogo da volta, no próximo fim de semana, na Arena da Floresta (empate em um a um leva o jogo para os pênaltis, empate em dois ou mais gols beneficia o ASA). Vitória por meio a zero (como no tempo do Sebastião Lazzaroni na seleção brasileira?) também serve. Mas, é preciso compreender que o fator casa não resolve tudo. O Rio Branco, é certo, tem cem por cento de aproveitamento jogando no seu terreiro. Mas o ASA também tinha. Assim como a equipe acreana resistiu à pressão (inclusive, ou principalmente, do “ar rarefeito”) no alçapão de Arapiraca, o ASA pode muito bem armar o seu ferrolho no meio da aldeia. Por último, externo o que eu considero, sem falsa modéstia, uma “boa idéia”. Idéia que embora não se relacione a alguma marca de cachaça, pode levar a uma “overdose” de felicidade. Ei-la: considerando a importância do jogo, bem como a necessidade do apoio da torcida, que tal se os ingressos forem vendidos ao preço simbólico de um real? Hein? (Publicada no site www.grandearea.com - 11 de agosto de 2009) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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