A hora pode ser feita por quem sabe |
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| Francisco Dandão
Concordo em gênero porque entendo que todos os artigos, tanto faz se definidos e/ou indefinidos, masculinos e/ou femininos, espalhados pelos mais longínquos recantos do Estado, estão juntos (inclusive os juventinos?) nessa parada, torcendo pela vitória do Estrelão sobre os emergentes e enjoados alagoanos. Na sua diversidade, o Acre também pode ser só um! Concordo em número porque tenho a certeza de que o lucro com a disputa da série B se espalhará por muitos cofres, desde o do vendedor de picolé, passando pelo flanelinha, que nos obriga a catar as derradeiras moedas da algibeira, até ao dos leitos dos hotéis, que serão ocupados por fanáticos de outras paragens quando dos jogos dos seus times por aqui. E concordo em grau (eu ia dizer “degrau”, mas aí me dei conta de que já havia usado a palavra lá no primeiro parágrafo) porque os confrontos de 2010, naturalmente, com o Rio Branco subindo de divisão, acontecerão contra equipes muito mais categorizadas do que essas da série C. Algum grande do futebol brazuca haverá de estar na “segundona”, isso é certo. Vai ser um choque de extremos. Uma consulta simples do mapa do país nos dá a dimensão exata de como estão distantes geograficamente Acre e Alagoas. Milhares de quilômetros e horas infindas de avião para alguém de lá chegar aqui e, igualmente, para alguém daqui chegar lá. O Rio Branco agüentou bem a viagem. Tomara que o ASA detenha-se esfalfado. Vai ser o choque entre um povo com a tradição de desvirginar a mata (e não só porque o vento costuma ser o mais fresco possível) e uma nação acostumada às agruras da seca (nos tempos que correm nem tanto, que agora a gente nunca sabe onde vai ter deserto ou alagação). Contrários em busca do mesmo objetivo. A glória esportiva a um centímetro da mão! Claro, para que tudo venha a ter um final feliz é preciso antes atropelar esse ser alado que responde pelo nome de ASA (tomara que sejam asas presas com cera e que derretam sob o sol, como na história do grego Ícaro, tragado pelas águas do mar Egeu), oriundo da terra de Fernando Collor (aquele dos olhos de ovos fritos em banha quente). Um final infeliz, nem pensar. Pelo tempo que o Rio Branco persegue essa vaga na série B, chegando perto e morrendo na praia (existe praia no Acre, sim senhor – só no verão, mas existe), está na hora de consegui-la. Acho que a hora é essa. E mesmo que não seja, como na canção do Vandré, quem sabe pode fazer essa tal hora, sem esperar que ela aconteça. (Publicada no site www.grandearea.com - 15 de agosto de 2009) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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