Torce(dor): adjetivo sem solução |
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| Francisco Dandão
O presidente Manoel Façanha é um desses meus amigos de múltiplas paixões esportivas. Independência, no Acre; Fluminense, no Rio de Janeiro, Internacional, em Porto Alegre; Fortaleza, no Ceará; São Raimundo, em Manaus; São Paulo, em São Paulo; Milan, na Itália; Porto, em Portugal; Real Madrid, na Espanha; Atlético, no Campeonato do Calafate etc. e tal. No meu caso, isso não funciona. Torço apenas pelo representante do Acre, que nunca é mais de um nas competições nacionais, e pelo Fluminense, outrora glorioso Tricolor das Laranjeiras. Quando esses citados não jogam, o que eu gosto mesmo é de ver muitos gols. E isso, tanto faz o lado do campo ou a cor dos uniformes envolvidos nas disputas. Como as minhas opções são muito diminutas, apenas duas entre tantas e tamanhas possibilidades, não raro eu me encontro em estados de profunda letargia, jururu, tal e qual uma modelo paulista magrela desfilando numa passarela, ante a inapetência para a vitória exibida pelas equipes que fazem o meu coração bater acelerado quando as vê em ação. É exatamente o que está acontecendo no momento. De um lado, o Rio Branco, desclassificado em plena Arena da Floresta pelo ASA de Arapiraca (por quem mesmo?). E do outro lado, o Fluminense, apanhando mais do que “boi ladrão”, como se dizia antigamente quando o falante queria explicar a condição exagerada da criatura castigada com a surra. E o pior é que a gente não pode, sequer, ousar esquecer o infortúnio. Com toda a parafernália tecnológica, que traz as notícias incessantemente para dentro das nossas retinas sofridas, não é possível a gente enterrar a cabeça na areia e fingir que o mundo deixou de existir. A informação insiste em correr ao nosso encontro, onde quer que possamos estar. Agorinha, nessa semana que passou, a título de exemplo disso que eu estou dizendo acima, decidido a não pensar em futebol por algum tempo mergulhei em textos relativos às Ciências da Comunicação, num congresso sobre história da mídia, que se realizava em Fortaleza. Na minha cabeça não havia espaço para futebol, tão somente para a ciência da informação. Passei dois dias sem ligar o televisor. Achei que estava blindado. Na noite de quarta-feira, porém, minha esperança esvaiu-se, ao sentar-me para jantar num dos restaurantes do complexo cultural Dragão do Mar. Mal eu pedi a comida, o telão à minha frente piscou futebol. Comi e capitulei. O Flu perdeu mais uma. Menos mal que o Rio Branco só joga agora em 2010. (Publicado no jornal O Rio Branco - 23 de agosto de 2009) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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