Quatro casamentos e um funeral |
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| Francisco Dandão
Não que o tal filme, necessariamente, tenha alguma coisa a ver com esportes. Não, longe disso. Ingleses não costumam fazer filmes sobre esportes. Futebol, então, talvez só um ou dois, logo depois da Copa de 1966, que eles ganharam roubando. O filme é sobre um solteirão inveterado e convicto que de repente vê o coração fisgado por uma morena bela. A ligação que a minha imaginação estabeleceu diz respeito tão somente ao título do filme com a alegria ou a tristeza dos mais diversos torcedores espalhados pelo país. É que o fim de semana esportivo teve de tudo, emoção pra mais de metro. Time afundando, time subindo na tabela, time respirando... Teve o voleibol, o automobilismo... Teve de tudo! Um casamento: o Fortaleza estreando técnico novo (Márcio Fernandes), metendo quatro a zero no Paraná, subindo algumas posições na tabela de classificação e ficando a um mísero pontinho de abandonar a zona de rebaixamento. Claro, ainda não dá para dizer que ficou em lua-de-mel com a torcida. Mas já dá pra dizer, no mínimo, que alianças foram trocadas. Outro casamento: o Palmeiras estreando uma estranha camisa azul, nem aí se o céu estava carregado de nuvens pesadas, nem aí para o frio de congelar os ossos na tarde de domingo paulistana... E por não se ligar em nada disso, bateu a boa equipe do Internacional e se manteve como líder da série A, com gol de Obina e tudo. Bodas prolongadas com o sucesso! Terceiro casamento: manhã de domingo como há muito não tínhamos. O Rubinho Barrichello, que quase nem encontra equipe para correr a temporada de 2009, de repente dispara a correr e, alvíssaras, chega na frente no GP da Europa de Fórmula Um. Fazia quase cinco anos que o Rubinho não vencia. A velocidade deixou de ser amante e casou com ele. Quarto casamento: as maravilhosas meninas do voleibol culminaram na madrugada de domingo uma campanha espetacular no Grand Prix 2009. Os olhos das japonesas saltaram das órbitas antes os vôos rasantes (ou além das nuvens) e quedaram-se impotentes mediante as bombas brasileiras. Hiroshima bem ali no horizonte... Núpcias ao som de bombas... Por último, o funeral: o Fluminense, depois de empatar com o Grêmio Barueri, jogando em casa, finalmente conseguiu botar as duas mãos na lanterna do brasileirão. Se é que faltava alguma coisa para o enterro do Tricolor das Laranjeiras, agora não falta mais. Aos poucos o caixão some sob a terra. A missa de sétimo dia já pode até ser marcada! (Publicada no site www.grandearea.com - 25 de agosto de 2009) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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