O maior dos clássicos |
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| Francisco Dandão
Pra variar, Maradona, o técnico deles, aquele mesmo cuja carreira há muito virou pó, já começou a fazer a sua guerrinha de nervos, tentando, de alguma forma, diminuir a importância dos ídolos e das conquistas brasileiras. Pelo menos é o que se subentende das declarações do portenho em entrevistas concedidas ao longo dessa semana que recém passou. Na falta do que dizer, o argentino (mais uma vez) mirou a sua verborragia para o Pelé, afirmando que foi muito melhor do que o rei. Entre os seus argumentos, o de que jogou na Europa, enquanto Pelé só conseguiu chegar aos Estados Unidos. E também que Pelé só ganhou mais títulos do que ele porque sempre esteve ao lado de craques mais do que excepcionais. Mas também não deixou de alfinetar o nosso treinador Carlos Dunga, dizendo, em (im)próprias palavras, que a referida criatura “quando jogava só queria ser xerife em campo. Vinha com as suas pernas grandes e queria dominar o meio do campo”. Uma alusão direta à pouca intimidade com a bola do brasileiro, e à sua disposição extremada em busca da vitória. Nenhuma das duas linhas de raciocínio tem a menor procedência (o que não é nenhuma novidade, partindo de quem partiu). Se Pelé não foi para a Europa, com certeza não foi por falta de convite. E se jogou ao lado de monstros sagrados, foi porque soube escolher onde jogar (ou, no mínimo, onde permanecer). Não poderia ser diferente, de jeito nenhum. E quanto ao Dunga, embora eu continue tendo muitas restrições à sua condição de treinador da seleção, sem qualquer preparação para tal posto, é certo que não se pode negar o quanto ele foi importante na campanha brasileira no Mundial de 1994. Além do que uma equipe não pode ser composta apenas por virtuoses. É preciso alguém para carregar o piano. Independente do que sai da língua encardida do Maradona, o certo é que Brasil e Argentina encarnam o maior clássico do futebol mundial. E isso tanto faz se um dos dois lados atravessa ou não um momento bom ou ruim. E é certo, igualmente, que eles precisarão jogar a própria vida, para não ver se distanciar em demasia o sonho de disputar a Copa de 2010. Em confrontos valendo por eliminatórias de Copa do Mundo, por exemplo, para se ter uma idéia de como a coisa é difícil, nós jamais vencemos na casa deles. Perdemos duas vezes, ambas no Monumental de Nuñez, por 2 a 1 e 3 a 1. Eles, por seu lado, perderam duas vezes e empataram uma aqui. Tomara a “mão de Deus” agora esteja do nosso lado! (Publicada no site www.grandearea.com - 29 de agosto de 2009) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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