Tarde de goleiros |
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| Francisco Dandão
Agora, neste domingo que recém passou, depois de quase sete meses zanzando pela paulicéia desvairada, rara tarde de sol por essas bandas, me enchi de coragem e voltei ao referido templo do futebol brasileiro. Almocei cedo, como nunca faço aos domingos, e me mandei. São Paulo e Palmeiras, candidatíssimos ao título, surgia no horizonte como uma final antecipada. Garimpeiro de fofocas e louquinho para esticar o caminho, o guedelhudo taxista que eu peguei, ao saber para onde eu ia, foi logo querendo saber se eu torcia pela turma do porco ou pelos “bambis” (palavra usada por ele). “Nem uma coisa e nem a outra, eu torço mesmo é por uma profusão de gols”, respondi-lhe sem tirar o olho do taxímetro do carro. A resposta não satisfez de todo o tal motorista. Louquinho para me enrolar, ele insistiu em saber qual o meu time do coração. Pronunciei quase num sussurro a palavra Fluminense, lanterninha por convicção do campeonato brasileiro. O homem pareceu arrependido de haver perguntado. Olhou-me piedosamente e tratou de acelerar rumo ao destino. Logo me vi dentro do estádio, no anel superior, atrás de um dos gols, justamente onde o palmeirense Marcos passaria o primeiro tempo. Quarenta mil pessoas (a maioria torcendo pelo São Paulo) vaiaram e aplaudiram alternadamente as equipes entrando em campo. Para variar, os maiores apupos sobraram justamente para o barrigudo Muricy Ramalho. Ídolo da torcida do São Paulo até um dia desses atrás, condutor de campanhas memoráveis do tricolor paulista, Muricy agora defende o inimigo. Imperdoável opção. Medo e aflição estampados no rosto de cada torcedor são-paulino. Afinal de contas, ali na boca do túnel, jogando contra, estava alguém que conhece como poucos todos os atalhos do Morumbi. Mas a tarde estaria destinada a ser toda dos goleiros. Passados os primeiros momentos de estranhamento pela presença de Muricy Ramalho do outro lado, começou o show de Rogério Ceni e de Marcos. Ataque de cá e de lá, e os dois fazendo aquelas chamadas defesas impossíveis, garantindo o zero a zero de um placar que eu, no táxi, almejei dilatado. A volta para casa começou com uma caminhada de dois quilômetros, no meio de uma multidão de são-paulinos que ora pareciam aliviados por haver empatado com o líder e ora pareciam aborrecidos pela oportunidade perdida de dar um salto na tabela de classificação. Finalmente, a avenida principal, outro táxi e o fim de noite no Fantástico para ver tudo outra vez! (Publicada no site www.grandearea.com - 01 de setembro de 2009) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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