Anticlímax |
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| Francisco Dandão
As declarações de Maradona, a quem até uma igreja é dedicada por uma legião de malucos argentinos, sobre haver sido melhor que Pelé, bem como as afirmações de Carlito Tevez (aquele ET que jogou pelo Corinthians, vocês lembram dele?) de que o Brasil vai entrar com medo no jogo deste sábado em Rosário, eu diria, é que começaram a contenda. Grandiloquente quando cutucado, Dunga revidou dizendo que um time cheio de “Maradonas” jamais daria certo. Inclusive porque (não disse o Dunga, eu é que o digo) seria, provavelmente, um time em que todo mundo, ao menor cochilo da arbitragem, iria querer fazer gols usando a parte errada do corpo. Onze supostos deuses trocando os pés pelas mãos. Aliás, para falar a verdade e descendo mais fundo nas brumas (essa veio direto de um romance de Edgar Alan Poe) do passado, pode-se situar o início dessa batalha (é o que eu acho que vai ser) antes até das declarações dos dois portenhos. Talvez se possa situar esse início no momento em que os brasileiros ganharam o primeiro dos seus cinco títulos mundiais. Luto de três semanas teria sido decretado na oportunidade, plenos anos de 1958. A informação constaria de um romance jamais publicado (censurado pelas autoridades da época) de Jorge Luis Borges. Situação tão traumática (o título e a censura) que o referido escritor teria começado o processo de cegueira (jamais um ensaio) que o acompanhou até a morte. Inepto para a carreira de treinador, Maradona prefere danar-se a falar. Imagina que pode intimidar o adversário. Tática ultrapassada num mundo globalizado, onde todo mundo pode, se quiser e souber usar a internet, conhecer os defeitos e as virtudes uns dos outros. Para efeito de lembrança, ressalte-se que nem a Bolívia respeitou a língua do dito cujo. Muitas malandragens, a propósito dessas abjeções que se praticavam antigamente fora do campo, ainda são usadas pelos argentinos para diminuir a sua possibilidade de derrota (a água batizada que deram para o Branco numa dessas copas da vida é só um exemplo). Embora joguem pra caramba, parece que eles só acreditam em si mesmos da língua para fora. A partida já começou. Mesmo a bola não tendo rolado ainda, são inúmeras as evidências desse fato. Os argentinos estão mortos de medo. Se perderem, diminuem sobremaneira as chances de irem à Copa do Mundo. Os brasileiros, por sua vez, parecem estar babando de raiva pela falta de respeito dos portenhos. Nós podemos ser as novas Malvinas deles. Tomara! (Publicada no site www.grandearea.com - 4 de setembro de 2009) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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