Problema para Gardel |
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| Francisco Dandão
Algumas providências, naturalmente, foram necessárias para o sucesso da empreitada. Uma dessas providências, dada a malandragem (no pior sentido do termo) dos “hermanos”, foi levar toda a água possível para o consumo dos jogadores. O risco de ficar “dopado” tomando a água deles (já aconteceu em um outro momento) era enorme. Assim, foi melhor evitar. Graças a cuidados como esse, os jogadores brasileiros puderam executar à perfeição o plano de jogo traçado. Insuflados pela sua apaixonada torcida e empurrados pelo ego do seu treinador (aquele mesmo que já se gabou da ajuda de Deus para fazer gols com as mãos), os argentinos viraram presas fáceis para os contra-ataques dos “brazucas”. A cabeçada do Luisão, de baixo pra cima, num espaço vago deixado pelos defensores argentinos, mandando a bola totalmente fora do alcance do goleiro deles, foi uma verdadeira pintura, digna mesmo de ficar, até o fim dos tempos, emoldurada na parede de qualquer museu da história da humanidade. Um pássaro escrevendo as linhas de uma poesia em pleno ar. Lamento e ranger de dentes dos fiéis do “deus” Maradona, ajoelhados defronte aos seus altares de total e absoluta insensatez. A suposta divindade aludida, comandante de uma causa perdida desde o início, flagrada reiteradamente pelas câmeras da televisão, percorreu os céus do planeta roendo compulsiva e desesperadamente as próprias unhas. Ignipotente até momentos antes de começar a contenda, Dom Diego Maradona e suas fanfarronices se materializaram tão somente em forma de fumaça. E se o gol de Luisão ainda permitia aos argentinos alimentarem alguma esperança, momentos depois Luiz Fabiano fez mais um, acrescentando pitadas de pimenta no nariz (pra não dizer outra coisa) deles. Macabro espetáculo para quem passou a semana afirmando que a seleção brasileira iria tremer na acanhada arena de Rosário. Canhoto de nascimento, Messi, o talentoso atacante inimigo, tropeçou na hora de entrar no campo e completou o gesto com o pé direito. Prenúncio de uma tragédia que se anunciava. Che Guevara, filho da cidade, revirou-se no túmulo. A Argentina, em resumo e em síntese, agora não é mais do que papel queimado, cinzas dispersas ao acaso no caminho por onde passou o Brasil. Embora ainda não esteja irremediavelmente fora da próxima Copa, vai ter que dançar miudinho para chegar lá. Dançar miudinho não combina de jeito nenhum com o ritmo do seu tango. Um problema para Carlos Gardel! (Publicada no site www.grandearea.com - 8 de setembro de 2009) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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