Taxi driver no Rio |
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| Francisco Dandão
A minha experiência mais recente desse quilate aconteceu justamente no sábado passado (12 de setembro), quando eu resolvi ir ao glorioso palco do Maracanã, assistir Flamengo e Sport Recife. Em frente ao Palácio do Catete, pertinho de onde eu costumo me hospedar quando estou no Rio de Janeiro, acenei para o amarelinho que passava e embarquei na aventura. Guabiru pela própria natureza (por sobrevivência ou por algum tipo de deturpada cultura), segundos depois que eu entrei no veículo, o sujeito já sabia que eu pouco conhecia os caminhos da cidade. Para confirmar, ele me fez a pergunta clássica: - O senhor quer ir pelo roteiro x ou pelo roteiro y? A minha hesitação tornou clara a minha condição de pato a ser depenado. Aí, para se mostrar simpático, o dublê de profissional do volante e estelionatário se danou a discursar (a idéia é não deixar o otário pensar) contra qualquer um detentor de um tantinho de poder na republiqueta das bananas. Na língua afiada da criatura, todos os políticos são iguais. Foi político, não presta. E quanto maior o poder, bem pior torna-se o indivíduo. “Lá em Brasília, meu irmão, não se engane não, aqueles caras lá só pensam em roubar a gente. Não tem um, sequer, que não esteja ali para se arrumar. Se chegar alguém lá no planalto que queira fazer as coisas certas, tem que mudar de idéia logo, logo, porque se não mudar de idéia, os outros tratam de rifar”, sentenciou o sujeito de forma resoluta e com total certeza. Ilimitado o repertório do motorista. Discurso com a inflexão certa, tantas vezes que ele já repetiu ao longo do dia, a cada visitante da dita Cidade Maravilhosa que ele consegue pegar ao longo das calçadas pouco limpas dos bairros do início da zona sul. “Esses aviões que vamos comprar dos franceses? É só um jeito dos figurões levarem algum”, explicou ele. “Muita malandragem, meu senhor”, disse a criatura, dando um jeito de permanecer entre dois ônibus, na altura da Praça da Bandeira, forçando uma imobilidade para que o marcador do taxímetro desse mais alguns saltos para frente. Tanto saltaram os números do marcador quanto os ponteiros do meu relógio. Nesse momento eu achei que perderia o jogo. Alguns longos metros depois, pouco além de um viaduto, finalmente vi um pedacinho da marquise do Maracanã. O taxista continuou falando. Esgotados os defeitos das autoridades atuais, ele passou a atacar quem já partiu para uma outra. Até D. Pedro I entrou na lista dos corruptos. Só não deu tempo esculachar com o imperador Adriano. Três a zero Flamengo! (Publicada no site www.grandearea.com - 15 de setembro de 2009) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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