Deus e o diabo na terra da chuva |
||||
| Francisco Dandão
A famosa terra brazilis, descoberta bem antes da Idade Média por uma turma de chineses aventureiros (e não pelos portugueses, em 1500, como ensinam os mais diversos e sisudos manuais escolares), desde sempre dita aos quatro ventos ser abençoada por Deus e bonita por natureza, é um bom exemplo dessas minhas afirmações aí do primeiro parágrafo. Veja-se o caso do ex-campeão mundial de boxe Acelino Popó. Tranquilão, como todo bom baiano, acostumado aos aplausos da massa, por conta do talento para sapecar tabefes na cara dos outros, eis que, do dia pra noite, aparece no noticiário como suspeito de mandante num assassinato. Só pode ser Deus puxando para um lado e o diabo puxando para o outro. Veja-se também o momento recente dos brasileiros no circo da Fórmula Um. Rubens Barrichello, na contramão de tudo o que a maioria dos apaixonados por velocidade poderia esperar, depois de quase nem ter equipe para correr na temporada 2009, tirou o pé do freio, danou-se a subir ao pódio, pegou gosto pelo champanhe e já é até candidato ao título. Já Nelsinho Piquet, numa espécie de retaliação por ter sido mandado embora (sei lá eu se por justa causa ou não) pelo mafioso inglês, botou a boca no trombone e jogou cocô pra todo lado. Nem se importou se poderia sair chamuscado para sempre. Importante mesmo foi espalhar a porcaria no ventilador. Melhor sair da frente dele para não ser atropelado, né mesmo? E veja-se, ainda, o caso do Fluminense, glorioso (nos anos de antigamente ou muito antes disso) Tricolor das Laranjeiras: a um mísero passo de conquistar a América (assim como o mundo, por conseguinte) no ano passado, e agora segurando com as duas mãos (e, ao que tudo indica, sem nenhuma intenção de largar tão cedo) a lanterna do Brasileirão. De novo, exatamente como nos casos anteriores, só pode ser uma briga entre o criador de todas as coisas e o capiroto. Briga que no tempo do Glauber Rocha se dizia “na terra do sol”, mas que agora, com o tanto de água que desce das nuvens, principalmente mais ao sul do continente, melhor configuração para a frase só mesmo a de “terra da chuva”. É isso. A perfeição só existe na máquina do tempo projetada dentro da nossa cabeça. Para cada fato positivo, a moeda tem sempre uma face reversa. E olhem que eu não mencionei nem um décimo dos casos com essa configuração de altos e baixos que a gente vive tendo notícia. Pra ser sincero, faltou falar de quase tudo. Talvez num outro dia eu fale do resto... (Publicada no site www.grandearea.com - 19 de setembro de 2009) |
||||
© Francisco de Moura Pinheiro |
||||
|
|
||||