À espera de um milagre |
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| Francisco Dandão
Apesar das definições dicionarizadas, porém, é certo e cristalino que muitas criaturas não acreditam em milagres. Para estas, tudo na vida tem uma explicação. Pode até ser que a explicação não seja encontrada de imediato, mas que ela existe, disso não há dúvida. Analisando, avaliando, revolvendo os fatos, lá no fundo uma luzinha ilumina o suposto prodígio. Mas também, em direção diametralmente oposta, há os que não duvidam de que os milagres existem sim. Nas rodinhas dessa turma dos que acreditam, é muito comum ouvir alguém dizendo que a fé costuma remover montanhas e que a esperança deve seguir viva enquanto a morte não sobrevir. Para esses, os anais da humanidade estão repletos de exemplos. Os maiores relatos nessa linha dos feitos miraculosos são encontrados justamente nas páginas do livro sagrado dos adeptos do cristianismo, não por acaso a obra mais vendida em todos os tempos. Os que não acreditam torcem o nariz para a narrativa, dizendo que tudo não passa de invencionice; os que acreditam, erguem os olhos para o céu. Peixes e pães de pequenos cestos multiplicados para aplacar a fome de uma multidão de fiéis dentro de uma corrente de fé; água transformada em vinho para o regozijo dos participantes de uma grande festa em honra à divindade suprema; cegos (inclusive uns que não queriam ver) voltando a enxergar; mortos ressuscitados... Milagre é o que não falta na Bíblia. O nome do santo milagreiro? Sim, eu digo já (mesmo imaginando que todo mundo já sabe). Chamava-se Jesus Cristo. Proclamado rei dos judeus, acabou pregado numa cruz (o instrumento de suplício preferido dos romanos daquela época), por conta de um fulano de tal Pilatos, sujeito que morria de medo de pegar a gripe suína e, por isso, adorava lavar as mãos. Pregar Cristo numa cruz, aliás, foi provavelmente a pior idéia daqueles malucos. Ao invés de destruir o inimigo, o que eles fizeram mesmo foi reforçar o mito. Sem contar que não adiantou porcaria nenhuma o suplício do filho do Homem. Alguns dias depois, ele voltou da tumba e obrou o seu maior milagre, que é o de permanecer vivo para sempre. Pois muito bem, caro leitor. A essa altura, você deve estar pensando que o cronista anda estudando teologia, né mesmo? Mas não é nada disso. Essa conversa foi só pra dizer que o Fluminense, ainda essa semana, vai trocar o técnico Cuca por Jesus Cristo. Se tudo der certo e o time não for rebaixado, penso que ninguém mais poderá dizer que milagres não existem! (Publicada no site www.grandearea.com - 22 de setembro de 2009) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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