Francisco Dandão
 
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Primavera já!

 
         
 

Francisco Dandão

de acordo com o calendário gregoriano, a primavera deveria chegar ao hemisfério sul nessa quarta-feira que recém passou. Pelo que rezam os mais famosos almanaques do gênero “capivarol” (quem não sabe o que é isso, favor dar uma olhada no “google”), desde então nós aqui da metade de baixo do planeta deveríamos estar cercados de flores e mais felizes.

     Acontece que, contrariando o que prevê o calendário, a estação da hora resolveu adiar a sua vinda e, em vez das flores coloridas ladeando as estradas e enfeitando as florestas, o que se faz presente com força e vontade por esses dias é uma chuva para inverno nenhum botar defeito. Chove num dia, no outro também, e a promessa é que depois de amanhã chova mais.

     Na opinião dos especialistas em meteorologia, essas alterações climáticas dizem respeito a um fenômeno denominado El Niño (“o menino”), que teria algo (ou tudo) a ver com certos ventos pirados e com determinadas águas ensandecidas do Oceano Pacífico. Em outras palavras: uma criança apronta suas peraltices e nós, só gente séria, pagamos o pato.

     Diante do exposto, e levando-se em conta que tudo nesse mundão de meu Deus está intimamente ligado (a parte reflete fielmente o todo que a contém - qualquer adepto do pensamento holístico sabe disso muito bem), eu penso que esse El Niño também poderia ser usado pelos teóricos para justificar os motivos de tantas inversões no sacrossanto mundo do futebol.

     A explicação para o fato de o Ronaldinho Gaúcho ter desaprendido de jogar futebol do dia para a noite, por exemplo, se tornaria muito mais simples do que ficar procurando motivos psicológicos nos dentes e nas tranças dele. Por esse raciocínio, ele não teria desaprendido, estaria só momentaneamente sofrendo a influência do garoto travesso espanhol.

     O motivo de um português chamado Cristiano Ronaldo (e não Joaquim ou Manuel – vai ver que o gajo nem mesmo é lusitano, como diz a sua Certidão de Nascimento), que sabidamente gosta muito mais de balada do que de jogar bola, ser eleito o melhor jogador do planeta, superando o brasileiro Kaká... Conseqüência direta, bem se poderia afirmar, do El Niño.

     Sobre um sujeito que nunca foi treinador de repente dar certo no comando da seleção brasileira de futebol? Sobre o Rio Branco morrer sempre na praia e não subir para a série B? Sobre um centroavante gordo, que um dia atendeu pelo apelido de Fenômeno, continuar fazendo muitos gols? Tudo poderia tranquilamente ser posto na conta deste El Niño.

     O último fato que poderia ter como causa esse famigerado El Niño, seguindo a linha das explicações esotérico/climáticas dessa crônica de hoje (isso no caso de o motivo não ser um sapo enterrado por algum vascaíno rancoroso), é justamente a última colocação do glorioso Fluminense no campeonato brasileiro. É isso. Só pode ser culpa do clima. Primavera já!

(Publicada no site www.grandearea.com - 25 de setembro de 2009)

 
         
         
 
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© Francisco de Moura Pinheiro