O favoritismo da Bolívia |
||||
| Francisco Dandão
Especula-se, por conta da classificação antecipada, bem como por conta também do fato de que alguns titulares estão machucados ou suspensos (Robinho, Felipe Melo e Juan), que o Brasil botará em campo um time recheado de reservas. Caso em que a partida serviria apenas como laboratório de refino (êpa!) da equipe que iria ao Mundial da África do Sul. Já do lado dos bolivianos, o bicho está pegando, com a ameaça, inclusive, da seleção não entrar em campo para as duas últimas rodadas. Criticados pela prematura desclassificação (eles ganharam apenas doze dos quarenta e oito pontos disputados até aqui), os jogadores da seleção andina pleiteiam maior apoio econômico por parte do governo federal deles. As greves gerais e conseqüentes convulsões sociais na Bolívia não são, exatamente, novidades para ninguém. Seja qual for a cor do governo, esquerda, direita, ou muito pelo contrário, tem sempre alguém lutando com unhas e dentes para depor quem esteja no poder. Mas é a primeira vez que eu vejo o anúncio da possibilidade de uma greve na seleção de futebol. Feitas as contas, medidas todas as coordenadas, analisados todos os eixos sintagmáticos e paradigmáticos, o que nos sugerem os atos e fatos preliminares é que essa partida vai acontecer muito mais no campo das políticas de relações internacionais do que no gramado usualmente destinado à marcação de gols, sob a vista das torcidas de ambos os lados. Indaga, então, o cronista aos seus (in)fiéis teclados: se de fato for assim, caso seja confirmada a escalação de diplomatas e mandatários dos dois países, qual o melhor prognóstico para esse iminente conflito (perdão: “confronto”)? Resposta mais rápida do que a luz atravessando a imensidão do espaço sideral: - Se for assim, eles são favoritíssimos. Coluna um, fácil. E por que eles seriam os favoritos nessa situação? Ora, muito simples. Pelo fato de que desde o instante em que Evo Morales assumiu o poder, a nação boliviana deu provas de fazer valer a sua vontade. Ou alguém aí do outro lado do texto já esqueceu a história da estatização das refinarias brasileiras, ou o aumento do gás vindo de lá? Hein? Hein? Lisonjeira e cordial como toda a vida foi (desde o tempo em que os portugueses esquartejavam os seus inconfidentes), não é agora que a nação brasileira vai querer botar azeite na fervura boliviana. Mesmo porque nesse momento, diferentemente da questão das refinarias e do gás, nós não temos mais nada a perder, a não ser a honra (pouco, né?). Bolívia na cabeça! (Publicada no site www.grandearea.com - 29 de setembro de 2009) |
||||
© Francisco de Moura Pinheiro |
||||
|
|
||||