Francisco Dandão
 
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Será que o Rio vai ficar mais lindo?

 
         
 

Francisco Dandão

depois de passado o primeiro momento de euforia pela vitória do Rio de Janeiro para sede das Olimpíadas de 2016, a gente chega à conclusão que não poderia mesmo ter dado outra coisa. Uma análise mais apurada tem o poder de mostrar que nem Chicago, nem Madri, nem Tóquio poderiam ser páreo para o Brasil nessa espécie de campeonato mundial.

     A começar pelo que toda a vida (ou pelo menos desde que os portugueses botaram os pés no litoral da Bahia) se disse de que esse nosso pedaço de planeta tinha tudo para acontecer no futuro. Muitas gerações se passaram desde a profecia e o tal futuro não deu o ar da sua graça. Então, estava mais do que na hora de a gente ganhar umazinha dos gringos.

     No que diz respeito às concorrentes, não era possível dar a sede dos Jogos Olímpicos de 2016 para Chicago. O índice de rejeição dos moradores da cidade era uma loucura. Obama teria dito, contam os seus seguidores mais próximos, algo como “sim, nós podemos perder, na boa”. E até Al Capone prometeu pagar direitinho o imposto de renda se a cidade perdesse.

     Há quem jure que igualmente os japoneses não se interessaram essas coisas todas em levar para a Ásia essa Olimpíada. A ilha deles já costuma tremer só com o número das almas que vivem por lá, imagine só se eles fossem obrigados a levar mais gente... Ia ser dez terremotos e meia-dúzia de tsunamis por dia... Barra pesadíssima até pra quem está acostumado.

     E quanto a Madri, essa talvez tenha sido a única cidade que fez uma forcinha para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Mas não tanto que possa fazer o povo de lá ficar chorando algum rio de lágrimas. Testemunhas relatam que até viram Picasso, Garcia Lorca e Miró comendo umas boas tapas e entornando generosas taças de vinho logo após a derrota de Madri.

     Rindo a toa, é claro que os brasileiros, em geral, e os cariocas, em particular, não querem saber disso. Pouco importa nesse momento se o país ainda tem um Índice de Desenvolvimento Humano pior do que o da Argentina, do Chile e do Panamá (só para ficar em alguns vizinhos mais conhecidos). O que importa é que o primeiro mundo foi posto no chinelo.

     Maior barato para nós, nenhuma catástrofe para quem perdeu. Vamos ver agora como é que as coisas serão conduzidas, de onde virá a grana para o financiamento das obras necessárias e se tudo que está no caderno de encargos vai ser efetivado. Um diretor de cinema competente pode fazer milagre num filme publicitário. Mas a atuação dele acaba aí.

     Impactante para o Brasil conquistar o direito de sediar uma Olimpíada? Sem a menor dúvida. Mas, mesmo correndo o risco de ser o chato da história, eu não posso deixar de lembrar duas coisas. Uma: em 2016 não podemos continuar subindo no pódio dos miseráveis. Outra: não podemos ganhar apenas cinco medalhas de ouro, como nos jogos passados.

(Publicada no site www.grandearea.com - 6 de outubro de 2009)

 
         
         
 
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© Francisco de Moura Pinheiro