Francisco Dandão
 
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Lugar comum, lugar nenhum!

 
         
 

Francisco Dandão

o grande barato desse jogo chamado futebol, eu me pego pensando enquanto leio o material publicado no dia seguinte ao fim das eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2010, são as variadas reações e as múltiplas interpretações levadas a efeito pelos seus protagonistas. Não tem tratado de sociologia que possa dar conta de tão vasto material.

     Do lado argentino, o gnomo gordo e bufão que um dia encantou o mundo por tratar bem a bola (a América espanhola chama de “pelota”), mesmo só logrando, agora como técnico, obter a classificação por conta de golpes de sorte (Peru e Uruguai sabem disso e vão lamentar durante muito tempo), mira as baterias contra a lucidez da imprensa do próprio país.

     Dom Diego Armando Maradona reclamou que foi tratado como lixo pelos “periodistas” portenhos. E então, para não perder o costume, mandou-os continuar “chupando o dedo” (tradução bastante eufemística, para não ofender as moças das famílias religiosas). Ou seja, reconhecer a própria incompetência, nem que a vaca vomite os bofes de tanto tossir.

     Já pelo lado do Brasil, o técnico Dunga (com aquela carranca, alguns acham que ele está mais pra “Zangado”) declarou que achou bastante positivo o empate em zero a zero contra a “perigosíssima” Venezuela, em casa, com o apoio de um estádio inteiro, uma vez que, segundo ele, caso o Brasil ganhasse poderia sobrevir um maléfico sentimento de euforia.

     O técnico (não seria professor?) brasileiro falou em manter o pé no chão (em se tratando de jogadores eu os prefiro com os pés plantados no gramado), “para chegar bem à Copa”. Não entendi nada. Parece uma apologia direta ao complexo do vira-lata. A chegada à Copa seria ruim se a gente enfiasse o porrete em todo mundo? Raciocínio maluquíssimo!

     Tudo bem que o Brasil ficou em primeiro lugar nas eliminatórias, que se classificou para o Mundial com três rodadas de antecedência, que isso e que aquilo outro. Acontece que, pelo menos no meu entendimento, alguns percalços do caminho não deveriam ter acontecido. Ou alguém acha normal empatar com Bolívia e Venezuela em casa? Eu é que não acho.

     Por outro lado (frase célebre usada pela primeira vez por Napoleão Bonaporte, quando dos combates contra Maria Antonieta), existem os que justificam os tropeços do Brasil com a alegação de que o mais importante é que os títulos estejam acontecendo. Concordo. Mas só em parte. Gosto dos títulos, mas acho que seria melhor se a gente pudesse confiar na seleção.

     É isso. Aqueles noventa minutos de futebol presenciados pelos fanáticos no campo de jogo, que, dadas as inúmeras paralisações, acabam bastante comprimidos, talvez se configurem menos reais do que as palavras dos seus protagonistas. Um grande barato, como foi dito no início do texto.  Cada dia, “uma caixinha de surpresas”. Lugar comum, lugar nenhum!

(Publicada no site www.grandearea.com - 17 de outubro de 2009)

 
         
         
 
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© Francisco de Moura Pinheiro