Francisco Dandão
 
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O macaco está certo

 
         
 

Francisco Dandão

ufa! Que semana agitada, hein... Teve emoção pra mais de légua. Nos quatro cantos do planeta, em cada esquina, mais do que já acontece normalmente, um olhar extasiado viu um ídolo do esporte, seja do futebol ou outro qualquer, traduzir algum tipo de sonho em matéria real e palpável.

     Claro, como para cada vencedor existe um (ou vários, dependendo do esporte) perdedor, o êxtase de um torcedor é a exata medida do sofrimento dos olhos de um outro. É a chamada lei do pêndulo na sua mais perfeita tradução: a mesma altura, tanto faz à direita ou à esquerda.

     Exemplo maior: aquele jogo entre Uruguai e Argentina, no lendário Estádio Centenário, em Montevidéu. Os donos da casa pegaram uma Argentina aos farrapos e tinham tudo para carimbar o seu passaporte para a Copa do Mundo do ano que vem. Mas deu no que deu. Ferro na boneca!

     Seqüência da ópera: o gordo Maradona botou a boca no trombone e mandou os jornalistas à ponte que caiu. Por conta disso, corre o risco de tomar um gancho de cinco jogos de suspensão, aplicado pela Fifa. Tomar um gancho e ainda ter que desembolsar um punhado de dólares de multa...

     Mas, as “tantas emoções” (dizem que Roberto Carlos já pensa em fazer um repeteco da canção famosa) não ficaram somente por conta do clássico dos platinos. Os brasileiros também foram protagonistas (coadjuvantes talvez seja o termo apropriado, dadas as circunstâncias).

     Falo dos meninos da seleção sub-20 e suas peripécias no Egito. Quarenta séculos de história contemplando os fedelhos do alto das pirâmides e, no final das contas, quem levou o troféu pra casa foi uma cambada de gatos africanos. A República de Gana comemora até hoje.

     Sacanagem, né não? Jogar cento e vinte minutos na área dos “negrões”, não conseguir furar o ferrolho (aquilo tava mais pra cofre forte do Banco Central – mas não aquele lá de Fortaleza) e deixar o título escapar nos pênaltis. Só podia ser coisa de vascaíno, jogador de time de segunda divisão (tenho que aproveitar para gozar enquanto não chego lá).

     Sim, teve emoção também no domingo, em Interlagos, no Grande Prêmio de Fórmula Um do Brasil. Pena que o Rubinho Barrichello enganou a gente mais uma vez. Fez o melhor tempo nos treinos de classificação, numa chuva de matar o guarda, mas depois, com um raro sol de primavera se derramando sobre São Paulo, voltou ao normal e entregou a rapadura.

     E teve emoção, pra fechar a semana e o texto, no Rio de Janeiro, nossa cidade olímpica, bonita por natureza, porém não mais assim tão abençoada por Deus. É que traficantes derrubaram o helicóptero da polícia e mostraram que nós somos candidatíssimos à medalha de ouro no tiro ao alvo por equipe, em 2016. O macaco está certo: o país do futuro é aqui!

(Publicada em www.grandearea.com - 20 de outubro de 2009)

 
         
         
 
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© Francisco de Moura Pinheiro