Francisco Dandão
 
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Descendo a ladeira

 
         
 

Francisco Dandão

potencial candidata ao título de campeã brasileira de 2009, por ostentar, durante muito tempo, confortáveis pontos à frente do segundo colocado, de repente, não mais que de repente (como nas linhas do famoso poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade) a Sociedade Esportiva Palmeiras desandou a perder partidas consideradas verdadeiras barbadas.

     Primeiro foi aquela lapada (não tenho certeza se foi na “rachada”, mas isso não tem muita importância) para o quase rebaixado Náutico, mais do que “aflito”, nas imediações do rio Capibaribe. Um três a zero redondinho na cabeça do sisudo Muricy. Totalmente absurdo, levando-se em conta as aspirações (e a posição, claro) das duas equipes na competição.

     E agora por último, na quarta-feira passada, jogando praticamente em casa, na região metropolitana da grande São Paulo, um clássico dois a zero, contra o também virtualmente rebaixado Santo André. E, para não dizer que desgraça pouca é a mais pura bobagem, entre uma surra e outra para os rebaixados, um revés contra a urubuzada rubro-negra carioca.

     Tudo bem, eu sei, a grande graça do futebol reside justamente nessa possibilidade do mais fraco ganhar do mais forte, na instituição da zebra galopante, na intervenção do Sobrenatural de Almeida... Provavelmente nenhum outro esporte oferece tanto essa perspectiva do inusitado e da reversão do resultado quando tudo aparenta um mar de total tranquilidade.

     Mas, convenhamos, com a vantagem que o Palmeiras livrara em relação aos demais candidatos, e com os seguidores mais próximos (São Paulo, Internacional e Atlético Mineiro) teimando em também deixar pontos pelo caminho, parecia pouco provável que o título não fosse parar no Parque Antártica ao final da temporada. Parecia... Não parece mais.

     Então, por não acreditar em azar (embora evite passar por baixo de escadas) ou coincidência, muito menos na intervenção de nenhuma divindade nessas coisas miúdas, bem como por entender que tudo nessa vida tem (ou deveria ter) uma explicação, é que eu me propus a lançar duas especulações, para ver se consigo jogar algumas luzes sobre a situação.

     Primeira especulação: nenhum centroavante que se preze pode se chamar “Love” (extremamente soft). Segunda: o grande articulador das jogadas da equipe atende pelo nome de Diego Souza, criatura que, ao disputar cada lance, costumava usar muito mais os braços e as mãos no rosto dos adversários do que as pernas e os pés no domínio da bola.

     Jogando ali na “zona do agrião”, o cara encarregado de marcar gols tem que ostentar algum apelido mais agressivo. “Dinamite”, “Demolidor”, “Bala”... Quanto ao Diego, eu acho que ele jamais conseguirá jogar com as partes determinadas pela regra. Ou é isso ou então estamos diante do clássico caso do “cavalo paraguaio”. A (in)decisão cabe aos palmeirenses!

(Publicada no site www.grandearea.com - 24.10.2009)

 
         
         
 
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© Francisco de Moura Pinheiro