O babado do amor |
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| Francisco Dandão
Filósofos de todas as épocas e das mais estranhas correntes de pensamentos, eruditos das civilizações mais avançadas, artistas de todas as tendências, matemáticos, magos (sérios ou de araque), parapsicólogos, cientistas, alquimistas, mistificadores, poetas ou eternos sonhadores, todos em algum momento já se pegaram tentando descobrir que bicho é esse. Um dos grandes problemas para se chegar a uma fórmula (poção mágica, lógica aristotélica, cabala, runas, mandala etc. e tal) que possa materializar o amor (o passo seguinte seria embalá-lo em frascos pequenos e vendê-lo via internet) é o seu aspecto camaleônico: numa hora ele se manifesta de um jeito, noutra hora tudo já virou de cabeça para baixo. Outro problema é que o sujeito que não está apaixonado, disposto a agir somente com o primado da razão, este não tem a menor condição de compreender o que é o tal do amor. Da mesma forma, a criatura que está completamente seduzida pelo seu objeto de culto, essa também não tem a menor condição de análise, por permanecer no mundo dos sonhos. Levando-se em conta que o mundo vive dividido (segundo todos os relatos de que se tem notícia) exatamente entre os racionais e os apaixonados, não havendo, no caso, por enquanto, possibilidade alguma de uma terceira via, então, não sobra ninguém para percorrer o caminho da investigação séria e bem-intencionada que conduza à almejada definição. Fatos comprobatórios disso tudo que foi dito até aqui se esparramam ao redor de todos nós. Mas, para não fugir ao tema da crônica, vou usar o exemplo do futebol, a título de demonstração, elaborando a seguinte indagação: - Como explicar a paixão desvairada e crescente de uma torcida de uma equipe prestes a cair (ou que já caiu) para a segunda divisão? O Corinthians do ano passado, fora da elite, foi um fenômeno (sem Ronaldo) de público na segundona. Verdadeiras legiões de fanáticos acompanhavam as idas e vindas do time pra lá e pra cá. Da mesma forma que acontece hoje com o Vasco, a um passo de dar a volta por cima. E igualmente ao que acontece com o Bahia, há muito rastejando na lama. Neste ano da graça de 2009, corintianos, vascaínos e soteropolitanos à parte, quem tem flertado insistentemente com o descenso é o glorioso Fluminense, Tricolor das Laranjeiras muito antes de Nelson Rodrigues ou do Sobrenatural de Almeida... Mas nem por isso, ao que parece, vê diminuir o amor da sua torcida. Muito pelo contrário. Dá para explicar? (Publicada no site www.grandearea.com - 03 de novembro de 2009) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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