Francisco Dandão
 
Principal    Depoimentos    Obras    Textos     Crônicas     Entrevistas    Biografia    Fotos    Contato
   
         
 

Cabeça a cabeça

 
         
 

Francisco Dandão

com uma diferença de apenas três pontos entre si, a rigor e matematicamente falando, quatro times chegam à penúltima rodada do campeonato brasileiro deste ano com chances de ganhar o título, beijar a taça, montar num cavalo branco e seguir rumo ao horizonte, sob os acordes de uma trilha sonora especialmente composta para um faroeste italiano.

     São Paulo, Flamengo, Internacional e Palmeiras disputam cabeça a cabeça a primazia de levar o título para as suas respectivas sedes, na competição mais equilibrada desde que se instituiu a fórmula dos pontos corridos. E o equilíbrio é tamanho que, mesmo nos estertores da disputa, qualquer palpite sobre quem será o vencedor não passa de especulação.

     Ninguém depende apenas de si mesmo para ser campeão. Todos estão sujeitos aos insondáveis caprichos do destino. Até o São Paulo, o atual líder, nem ele depende só das próprias forças. Maluquice da minha parte? Pois eu explico já. E se, por um acaso, o presidente palmeirense aparecer na arquibancada sedento do sangue dos bambis? Hein? Hein?

     O Flamengo, por sua vez, ainda com os espinhos de pequi recebidos de presente dos goianos na semana passada incomodando a gengiva, apesar de toda a realeza do imperador Adriano, tem duas paradas pra lá de indigestas pela frente: o Corinthians, sob o comando do gordo Ronaldo; e o Grêmio, recheado de caudilhos, tangos, milongas e chiliques argentinos.

     Vida mole, do ponto de vista dos adversários, é o que se imagina vá ter o gaúcho Internacional. Primeiro, o Sport, mortinho da silva, na Ilha do Retiro. Depois, o Santo André, candidatíssimo ao rebaixamento, em Porto Alegre. Mais mole do que isso, só o bêbado que a gente empurra ladeira abaixo. O problema do Inter são as duas equipes que estão na frente dele.

     Por fim, a gloriosa Sociedade Esportiva Palmeiras, cuja grande tarefa, além de secar os adversários e ganhar seus jogos contra Atlético Mineiro e Botafogo, é convencer seus craques que jogar futebol é mais ou menos como andar de bicicleta e nadar: uma vez que se aprende, não se esquece jamais. Fórmula meio complicada, mas perfeitamente possível.

     E além de tudo isso, para embaraçar ainda mais as coisas, ainda há um ingrediente obscuro no meio de toda essa confusão: uma incerta mala branca, parecidíssima com as bruxas espanholas (ninguém confirma, mas todo mundo sabe que existe). Difícil, muito difícil mesmo, faltando duas rodadas, a gente apostar todas as fichas no próximo campeão brasileiro.

     Por todas essas configurações de possibilidades, vai ser um fim de semana de arrepiar nos principais estádios brasileiros. Naturalmente, ao final das contas, vai sobrar somente uma equipe vendo passarinhos azuis sobre a cabeça e sorrindo de bobeira para as nuvens de um céu de brigadeiro. Às outras, sobrarão trouxas de roupa suja para curar a ressaca!

(Publicada no site www.grandearea.com - 27 de novembro de 2009)

 
         
         
 
VOLTAR Voltar
 
TOPO   IMPRIMIR   ENVIAR E-MAIL 
© Francisco de Moura Pinheiro