Francisco Dandão
 
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A tática do mosquito

 
         
 

Francisco Dandão

mal foram sorteados os grupos para a primeira fase da Copa do Mundo do próximo ano, começou também a movimentação de cada seleção para ficar entre as equipes que avançarão na competição. A esta altura das coisas, diversos espiões já se mobilizam para juntar o máximo possível de informações sobre os adversários. A informação é tudo no século XXI!

     Independentemente do que os espiões conseguirem saber, entretanto, o certo é que todos os dirigentes envolvidos na disputa já traçam planos para eliminar os adversários mais perigosos. As seleções cabeças de chave de cada grupo são os alvos mais visados. Ser cabeça de chave significa estar, pelos menos teoricamente, à frente das demais. Então, chumbo nelas.

     No ponto G do Brasil (ato falho...). Quer dizer, no grupo G, onde está o Brasil, dizem que os coreanos do norte, no dia seguinte ao sorteio, depois de arregalarem os olhos logo ao amanhecer de uma noite insone, reuniram a alta cúpula do seu Partido Comunista para achar um meio de promover, em caráter de urgência, a aceleração do seu programa nuclear.

     A explicação é simples: caso, depois dos primeiros minutos de jogo, eles (os norte coreanos) percebam que não vai ter como parar a artilharia brasileira (provavelmente a cargo da dupla Fabuloso e Imperador), então, com as armas atômicas devidamente calibradas, darão o ultimato: que os “brazucas” entregam as meias e as cuecas ou o cogumelo sobe aos céus.

     No tocante à Costa do Marfim, a outra adversária dos brasileiros, a grande arma deles vai ser uma ajudinha já devidamente prometida (por trás das bombas, claro) pelo presidente Nicolas Sarkozi, levando em conta que até um dia desses o país africano era colônia dos franceses. Seria o caso, então, de o Brasil melar a compra milionária daqueles aviões de guerra, né?

     Aliás, de fato seria uma boa desculpa para o nosso grande líder (“jamais se viu um país como esse...”, “imagens não provam corrupção...”, “a culpa de tudo é da imprensa...”, “Zelaya no rabo de hondurenho é o maior refresco” etc.), provar tanto para o chapéu de Charles de Gaulle quanto para a mão de Henry que esse país ainda pode ser sério, sim senhor.

     Mas o adversário que inspira mais cuidados aos brasileiros é Portugal. E eu não falo isso por conta da caçada que os açougueiros deles empreenderam contra Pelé e companhia na Copa de 1966, sob os olhos deslumbrados dos jovens Beatles e sob as bênçãos da rainha da Inglaterra. Falo isso por conta de uma recente declaração do técnico dos ditos cujos.

     O homem simplesmente veio a público afirmar que Portugal vai enfrentar o Brasil com a “tática do mosquito”. Traduzindo: zunir em volta das cabeças dos brasileiros o tempo inteiro e dar umas “picadas” de vez em quando. Originais esses portugueses. Se não for mais uma piada, o Brasil precisa começar a providenciar um estoque de repelentes. Fica o aviso!

(Publicada no site www.grandearea.com - 11 de dezembro de 2009)

 
         
         
 
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© Francisco de Moura Pinheiro