Efeitos do aquecimento global no futebol |
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| Francisco Dandão
O aquecimento global, a propósito, afeta muito mais a vida da gente do que, em princípio, supõe a nossa escassa filosofia (sociologia, psicologia, antropologia, androginia ou qualquer outra “ia” que o valha...). As autoridades só não dão publicidade disso, costuma dizer a turma das teorias conspiratórias, para não causar pânico no populacho desvairado. Mas já existem provas cabais, sussurram por todas as suas bocas os apocalípticos das variadas espécies, de que não é somente na forma de ciclones, enchentes e secas inusitadas que o aquecimento nos atinge. Para estes, e eu acredito (e por que não?), o aquecimento global atinge todos os aspectos da nossa vida. Inclusive, pasmem (!), o futebol nosso de cada dia. A tese desses tais apocalípticos, correndo solta pelas infovias planetárias (leia-se internet), apóia-se, principalmente, em alguns dos fatos recentes aqui nas terras tropicais ao sul da linha do Equador. Fatos que vão desde a cena de pugilato, em pleno campo de jogo, entre dois atletas do Palmeiras, até a invasão de campo protagonizada pela torcida do Coritiba. Tidos e havidos como dois sujeitos pra lá de tranqüilos, Obina e Maurício, por essa teoria, não podiam estar em seu estado normal. Pode até ser uma idéia maluca, mas exatamente naquela semana o rebanho bovino gaúcho teria se danado a soltar seus gases mais intensamente, aumentando o efeito estufa. A cabeça dos caras não teria como não entrar em ebulição! A explosão de fúria da torcida do Coritiba, ainda de acordo com o mesmo grupo de teóricos da conspiração, também se enquadraria na lista de anomalias proporcionadas pelo aquecimento global. É preciso, de fato, estar com a cabeça muito quente para enfrentar com pedaços de paus e pedras um contingente policial preparado para o combate. Ou não? Já a reação do Fluminense, atropelando gregos, baianos, troianos, a mãe do Pantanha e todas as aves de mau agouro que atravessaram o seu caminho, essa, antes que alguém se manifeste, devo esclarecer rapidinho, não teve nada a ver com essa confusão que ora o pessoal da cueca discute na Dinamarca. Nada a ver. Foi pura bola mesmo. Só isso e apenas isso! Pois bem. O negócio não é brincadeira não. Enquanto não parar essa onda de aquecimento global, a grande sacada é a gente dar um jeito de botar a cabeça no freezer. Mas só a cabeça. Botar o pé, nem pensar. Pé frio dá azar. Cuidado com a inversão das bolas: o que deve ser fria é a cabeça; já o pé, esse deve permanecer quente. Receita direto de Copenhague. Eca! (Publicada no jornal O Rio Branco - 20 de dezembro de 2009) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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