Francisco Dandão
 
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Planos para cozinhar um galo

 
         
 

Francisco Dandão

apesar de haver perdido para um incerto, desconhecido e suburbano Coritiba no primeiro jogo-treino da preparação para a partida da Copa do Brasil contra o Atlético Mineiro, o nosso querido e glorioso Atlético Clube Juventus, digníssimo campeão acreano de 2009, acredita que dá para encarar de igual pra igual o Galo das Alterosas, na Arena da Floresta.

     Pelo menos é isso que se pode deduzir das palavras do meu prezado amigo Marcelo Altino, técnico da Águia Acreana, em entrevista concedida ao meu afilhado Manoel Façanha. “Estou preparando um esquema” (a primeira sílaba pronunciada com o chiado característico dos nativos do Rio de Janeiro) “pra surpreender o Luxemburgo”, teria dito o “mago” carioca.

     Conhecedor que sou da capacidade do Marcelo Altino, eu não tenho porque duvidar das palavras dele. E então, a única coisa que me ocorre para o mau resultado do Juventus no primeiro teste é a de que, propositadamente, a equipe acreana, sabedora que havia um espião mineiro de olho na movimentação, tratou de esconder o seu verdadeiro poderio.

     Fora isso (a palavra do Marcelo Altino), pensando bem, descontando o fato de que o Atlético Mineiro tem jogadores muito mais famosos (nome ganha jogo?), eu acredito que o Juventus tem tudo mesmo para eliminar o referido adversário e emplacar numa boa a segunda rodada da Copa do Brasil de 2010. São três os principais motivos que sustentam essa minha fé.

     Primeiro: no confronto entre os animais mascotes, total vantagem do Juventus. A águia voa alto, enxerga longe, mergulha em velocidade para apanhar a presa... E quando fica velha ainda encontra tempo para trocar o bico e as garras. Verdadeira maravilha. Já o galo, esse passa a vida “galinhando”. O negócio do bicho é cantar e meter o bico nas “penosas”.

     Segundo: na Arena da Floresta, cuja configuração arquitetônica foi projetada para torná-la um “alçapão” (pelo menos é essa a explicação dos homens para o fato de as arquibancadas ficarem tão próximas ao campo), bem diferente do Mineirão, os visitantes costumam tremer quando a torcida faz o seu barulho. Principalmente se o bandeirinha se chamar Mário Jorge.

     Terceiro: na recente viagem que o Marcelo Altino fez ao Rio de Janeiro, conta-me o meu afilhado Manoel Façanha, ele teria subido de joelhos a escadaria da igreja da Penha e renovado o poder daquele enorme crucifixo que ele carrega preso ao pescoço. E, além disso, ainda teria comprado meias novas para manter no nível certo a temperatura dos pés.

     Então, é isso. O Marcelo Altino já tem prontos os planos para dar um nó na prepotência do Wanderley Luxemburgo (tanto cá como lá). Sendo assim, o Juventus é favoritíssimo contra o Atlético Mineiro. Mas é preciso continuar com a tática do jogo escondido. A moçada não pode se empolgar. A idéia é continuar perdendo nos treinos. Os coveiros que se protejam!

(Publicada no site www.grandearea.com - 9 de janeiro de 2010)

 
         
         
 
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© Francisco de Moura Pinheiro