Francisco Dandão
 
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Tão Acre

 
         
 

Francisco Dandão

existem coisas que se repetem todos os anos, chovendo, nevando ou fazendo algum sol inclemente de arrepiar. Natal, Semana Santa, Vestibular, Dia das Mães, Semana da Pátria, Carnaval etc. e tal. Tradição ou obrigação, qualquer que seja o ângulo de visão, gostem alguns ou não, todos tem que passar pelas festas e escolher o que fazer para preencher o ócio insurgente.

Aos foliões a escolha é muitíssimo simples: bolar uma fantasia, encher a cara de algum derivado de álcool ou fermentado e soltar a franga na avenida ou em salões mais reservados. Aos não-foliões a escolha é mais complicada. Embora as opções sejam muitas, para qualquer lado que se olha tem sempre alguma coisa lembrando que a festa rola solta lá fora.

No meu caso, que já sou um folião devidamente aposentado, vou aproveitar o período para devorar o gibi produzido pelo nosso saudoso José Chalub Leite (falecido em abril de 1998), “Tão Acre – O Humor Acreano de Todos os Tempos II”, lançado em dezembro passado. Um calhamaço de quase oitocentas páginas, com historinhas pra lá de gaiatas aqui da aldeia.

Transcrevo três dessas historinhas (uma das quais eu sou o próprio personagem), ambas relacionadas a questões esportivas, para que vocês, leitores, tenham uma idéia do quanto prazer e divertimento poderão obter com a leitura das pérolas garimpadas pacientemente pelo Zé Leite.

O craque do xadrez

Poeta, literato, bacharel em Direito, escritor, jornalista e jogador de xadrez, Francisco Dandão (de batismo Francisco de Moura Pinheiro), por motivo de saúde viajou imediatamente a Belém para ser operado do septo fibrocartilaginoso de alguma articulação da perna esquerda, o popular menisco. Pois é, tão Acre mesmo: jogador de xadrez opera de menisco, no Acre. Ao voltar da viagem e da operação, Dandão explicou:

- Ao ser roubado numa partida, irritei-me e bati o joelho na perna da mesa, o que lesionou o menisco e me tirou do campeonato longa temporada.

O médico do Estrelão

Todo clube profissional quando vai disputar qualquer competição nacional é obrigado por determinação da FIFA e da CBF a incluir na delegação um médico. Em 1991, nos jogos com o Sul-América e o São Paulo, pela Copa do Brasil, o Rio Branco Futebol Clube contratou o Dr. Gerce Câmara.

Sua especialidade: ginecologia.

Time completo

Em 1970, o desembargador aposentado Lourival Marques de Oliveira na presidência, o time do Rio Branco Futebol Clube amargurava a fiel torcida com derrotas sobre derrotas. Lourival Marques foi buscar o Antônio Leó e o tarimbado técnico, depois de um treino sentiu que precisava de bons jogadores, os reforços. O dirigente não perdeu tempo:
- Leó, você precisa de quantos reforços para o Estrelão?
- Onze, doutor.

É isso. Bom carnaval a todos!

(Publicada no jornal O Rio Branco - 13 de fevereiro de 2010)

 
         
         
 
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© Francisco de Moura Pinheiro