Francisco Dandão
 
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Futebol: jogo de possibilidades infinitas

 
         
 

Francisco Dandão

dinâmico e efervescente, o mundo do futebol trabalha a milhares de rotações por minuto, tal e qual um automóvel de extrema potência que vai de zero a cem quilômetros em uma fração de segundo. De um dia para o outro as certezas podem entrar em parafuso, trocando tudo de lugar, desde o mais alto azul do céu até as profundezas do mais incandescente inferno.

Veja-se, a propósito disso que estou dizendo aí no primeiro parágrafo, o caso do Botafogo carioca: menos de um mês depois de ter levado uma lapada de seis a zero do Vasco da Gama, fato que resultou na demissão do técnico Estevam Soares, cruzou com o mesmo algoz e levou a Taça Guanabara para a sua galeria, depois de um convincente dois a zero.

E veja-se, igualmente, o caso do Palmeiras, na chuvosa terra dos bandeirantes: depois daquele quatro a um humilhante para o modesto São Caetano, no meio da semana, bota uns reservas em campo, enche os peitos de brios e manda às favas o favoritismo do Tricolor do Morumbi, repetindo o placar do Maracanã. Dois a zero, sem tirar nem por. Idem, idem, ibidem!

Em ambos os casos, coincidentemente (ou não?), uma troca de treinador no percurso. No Rio de Janeiro, o titio Joel Santana, depois da pouco abonadora experiência africana, faz o brilho da impávida estrela solitária cegar os adversários. Em Sampa, o ex-zagueiro Antônio Carlos, quase debutante na profissão, lava e enxágua um cesto de roupa suja.

E aí, dados os referidos resultados, assim tão imediatamente após as respectivas trocas de comando, me sobrevém duas questões tão antigas quanto a própria prática do futebol. Uma: até que ponto técnico ajuda a ganhar o jogo? Outra: por que os mesmos jogadores mudam radicalmente o modo de atuar, empenhando-se bem mais com o novo “professor”?

Difícil responder com precisão a esses questionamentos. O certo, porém, é que com determinados treinadores (Joel parece ser um deles) os atletas dão o sangue por uma vitória. Já com alguns outros, sujeitos que passam a impressão que odeiam o simples fato de ter que respirar (Muricy parece ser um deles), os atletas contam os minutos para vê-los pelas costas.

Mas é claro que ainda é muito cedo tanto para demonizar os treinadores que saíram do Botafogo e do Palmeiras quanto para beatificar os que os substituíram. Se o alvinegro carioca não mantiver o desempenho e desandar a perder na Taça Rio, o pau vai comer na cabeça do Joel. O mesmo se reservando para Antônio Carlos se o Palmeiras não engrenar.

É isso. No futebol nada é definitivo, nada é absoluto, nada é impossível num oceano de infinitas possibilidades. Tudo pode acontecer, assim como tudo pode mudar de lugar num piscar de olhos. Se o Juventus vai resistir ao poderio do Atlético Mineiro nesta quarta na Arena da Floresta? Isso o meu oráculo se negou veementemente a responder...

(Publicada no site www.grandearea.com - 23.02.2010)

 
         
         
 
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© Francisco de Moura Pinheiro