Francisco Dandão
 
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Anatomia de uma goleada

 
         
 

Francisco Dandão

Como bem sabem os que acompanham estas linhas que eu cometo todas as semanas, no dia 17 eu precisei viajar para São Paulo, onde devo permanecer durante todo o semestre, concluindo os créditos de um curso de pós-graduação. Assim, não pude assistir ao massacre imposto pelo Atlético Mineiro ao Atlético Clube Juventus, em plena Arena da Floresta.

Não pude assistir, mas ouvi pelo rádio, na narração do competentíssimo Deise Leite. E desse ouvir, a maior impressão que eu tive foi a de que o Atlético Mineiro jogou sozinho, tal a facilidade encontrada para ir enfiando gol a gol na cabeça da águia acreana, até ao limite onde bem entendeu. Sete a zero, com cinco de um orixá africano de nome Obina.

A questão é que ouvir não é o mesmo que ver. E assim, mal acabada a peleja (existe peleja quando só um lado entra na luta?), ante o resultado vexatório para o futebol acreano (a maior goleada que um time local já sofreu em participações na Copa do Brasil), disparei um email para o meu editor Manoel Façanha, na ânsia de obter mais explicações para a tragédia.

Mais do que depressa, como se já estivesse esperando a minha solicitação, o referido editor respondeu, apelando inicialmente para explicações de caráter esotérico, discorrendo sobre a mística que envolve o número sete, numa tentativa, provavelmente, de me convencer que a derrota do Juventus foi fruto de algum tipo de manifestação cabalística.

Por conta da explicação místico/esotérica do Façanha eu fiquei sabendo que a natureza é composta por “sete” mundos, “sete” céus, “sete” terras, “sete” mares, “sete” rios, “sete” desertos, “sete” dias para a semana, além do que “sete” são as semanas da Páscoa a Pentecostes, “sete”  são as notas musicais e “sete” são os anos de azar para quem quebra um espelho.

No tocante às questões mais do dia-a-dia, esoterismo à parte, segundo o Manoel Façanha, “sete” foram os motivos para a bordoada certeira que o Juventus levou do Galo Mineiro. A saber.

1 - Praga do técnico Edson Maria, vulgo Som, que, afinadíssimo com o elenco, teria sido demitido no fim da temporada de 2009 como castigo por ter levado o time ao título estadual;

2 - Um trabalho de encruzilhada para prender as pernas dos atacantes do time acreano, preparado pelo também demitido técnico Marcelo Altino, não sem propósito chamado de “El Mago”;

3 - O animal símbolo do time teria deixado de ser águia, cujas maiores virtudes eram voar alto e enxergar longe, e agora não passa de uma simples galinha, vivendo rente ao chão e olhando sempre para baixo;

4 - O goleiro juventino, por conta dessa mudança da águia para a galinha, teria passado a curtir as belezas do frango (dois, no caso);

5 - O técnico/delegado Illimani, no afã de preparar a equipe para o “duelo do ano”, teria esquecido o detalhe crucial de mandar recolher ao xadrez o artilheiro Obina, tão logo ele botasse o pé no solo acreano;

6 - O surto de dengue que acometeu o elenco na pré-temporada;

7 - Profecia do professor Joraí Pinheiro, ora baseado na fronteira com a Bolívia, que teria afirmado que o Juventus só voltaria a brilhar quando um dia ele fosse convidado para ser o técnico da equipe.

É isso, brothers. Meu editor Manoel Façanha falou e disse!

(Publicada no site www.grandearea.com - 27 de fevereiro de 2010)

 
         
         
 
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© Francisco de Moura Pinheiro