A fama, o tédio e a cama |
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| Francisco Dandão
Veja-se o caso do craque Ronaldo, em relação ao provérbio “fazer e fama e deitar na cama”. Para mim, ele confirmou de forma cabal essa máxima da vida neste último jogo do Corinthians, em Bogotá. Maior artilheiro da história das Copas do Mundo, quase que os colombianos não o deixam andar do saguão do aeroporto até o ônibus que o levaria ao hotel. Na hora da partida, porém, o jogador limitou-se a ficar zanzando de um lado para o outro, nas proximidades da grande área inimiga. Parecia entediado, com preguiça... Parecia não suportar o “peso” daquele imenso número nove pregado às suas costas. Os que o aplaudiram ao ser anunciada a sua substituição, o fizeram pela sua história, não pelo jogo em tela. Neste sentido, o portal esportivo colombiano Futbolred foi implacável, tanto no que diz respeito a Ronaldo quanto ao parceiro Roberto Carlos, considerando que os dois jogadores “deram mais do que falar fora do que dentro do campo”. E foi além ao afirmar que o sobrepeso do Fenômeno o tornou “presa fácil para os defensores do Medellín”. Bingo! E não foram tão somente os colombianos que tiveram essa percepção da péssima atuação do centroavante corintiano contra o Independiente. O comentarista Walter Casagrande, da Rede Globo de Televisão, passou a transmissão dizendo que o time paulista estava jogando com um a menos, tal a imobilidade do veterano (e gordo) ídolo. Infeliz unanimidade! Resumo da ópera: o famoso deita na cama depois de feita a fama, mas nada garante (muito pelo contrário) que essa fama vá mantê-lo como top ao longo do tempo. Principalmente no futebol, onde é preciso matar um dragão por dia. Mesmo reverenciando-se um passado de glórias, na hora em que o sujeito deixa de render o esperado, muito obrigado e passar bem... Diferentemente da história do vinho, do qual se diz “melhor cada vez que fica mais velho”, no futebol os anos pesam. Embora alguns jogadores ultimamente tenham batido recordes de longevidade, é certo que grande parte deles tem passado da hora de pendurar as chuteiras. Não percebem que a cada dia as pernas se recusam mais e mais aos comandos do cérebro! Para finalizar, duas observações. Uma: apesar de tudo, mesmo se arrastando no gramado, sem condição física ou motivação para o espetáculo, o dinheiro que gira em torno do negócio obriga o Fenômeno a entrar em campo. Outra (essa ouvida de um feirante, nas proximidades da rua Frei Caneca, em Sampa): “Sem Dentinho o Corinthians fica banguela”. (Publicada no jornal O Rio Branco - 14 de março de 2010) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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