| Decidindo o jogo | ||||
| Francisco Dandão
Ou então, numa outra hipótese igualmente válida, na outra ponta do raciocínio, também se pode esperar que seja decisivo o chamado anti-herói do espetáculo, o sujeito que se veste diferente, aquele número um lá atrás de todos os outros a quem se dá o direito de tocar a bola com as mãos. Defendendo os chutes inimigos, o goleiro também pode ser o dono do jogo. Pode-se igualmente esperar que a grande figura de uma partida de futebol seja o chamado meia-armador, indivíduo que costuma jogar com o número dez às costas, encarregado de pensar as melhores opções para as jogadas ofensivas da sua equipe, de antever o lance, de descobrir o ponto futuro, de botar, enfim, os parceiros atacantes em condições de fazer o gol. Não seria estranho ainda que um zagueiro xerife, desses a quem cabe decidir o que vai passar incólume pela sua frente (a bola ou as canelas do atacante!), seja eleito como a figura decisiva de um confronto. De estilo clássico ou mais chegado a um chutão (“beque de fazenda”, nos dicionários de futebolês), não é incomum a glória recair sobre alguém dessa posição. Até a um técnico (embora a maioria costume tão somente enganar a turba ensandecida e desavisada) se pode dar o crédito maior por uma vitória. É o caso daquele que consegue enxergar por onde flui o jogo do adversário e trata de armar uma estratégia que dificulte esse fluir... E é o caso também daquele que escolhe os homens certos para o combate da vez. Todos esses personagens citados podem, eventualmente, dentro dos parâmetros da normalidade e da decência futebolística, ser tidos em algum momento como elementos decisivos de uma partida. Quem não pode encarnar essa condição são os sujeitos que, conjuntamente, atendem pelo nome de “trio de arbitragem”. Esses não podem, em nenhuma hipótese! Pois foram exatamente esses do “trio” que “roubaram” a cena nas semifinais do returno do atual campeonato carioca. Graças a eles, a Taça Rio de 2010 será decidida por quem absolutamente não deveria: Botafogo e Flamengo, em detrimento de Fluminense e Vasco. Eles cometeram erros tão grosseiros que até a estátua do Redentor chorou (tá na capa da Veja). O jogo de domingo, entre Mengo e Vasco, eu só vi pela TV. Ou seja: vi o que um editor de imagens quis que eu visse. Mas o jogo de sábado, eu testemunhei de corpo literalmente presente. De passagem pelo Rio para uma evento cultural, eu tanto vi o Flu ser “garfado” como vi o poeta Mauro Modesto, aborrecido, quebrar o seu estimado guarda-chuva. Uma loucura! (Publicada no site www.grandearea.com – 13 de abril de 2010) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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