| O anão e o ganso | ||||
| Francisco Dandão
Corro às folhas impressas, recorro aos programas de rádio, retiro minha luneta mágica das estrelas e direciona-a ao televisor. Todos, mas rigorosamente todos mesmo, têm restrições à lista. Uns criticam com mais violência, chamando o “anão” de teimoso etc. e tal. Outros, mais amenos, dizem que o sujeito é apenas um homem de idéias próprias e peculiares. Para mim, em princípio, ele não é uma coisa nem a outra. Pra mim, ele é estrábico, o que faz com que veja as coisas de maneira diferente daquela que nós, “otários”, vemos. De qualquer forma, acho que desde Schindler (o sujeito que salvou mais de mil judeus da morte nos campos nazistas, lembram-se?) uma lista não causou tanta discussão como essa. Claro, nenhuma lista, de quem quer que fosse, agradaria a todos. Nem mesmo Jesus Cristo exercendo o papel do Dunga (é preciso bater na madeira três vezes cada vez que a gente escreve o nome do “anão”, ou então vai ser burrice pra cem anos) agradaria. Além do mais, não se pode dizer que o povo acerta sempre. Mas, convenhamos, a lista é ridícula! Entre as opiniões, duas chamaram mais a minha atenção. Uma delas, a do Sócrates, um dos mentores da democracia corintiana, na década de 1980. “Futebol é um agente educativo. Se você passa a mensagem de ganhar de qualquer jeito, passa também a idéia da violência. O brasileiro gosta de arte, beleza. Achei a lista do Dunga uma porcaria”, disse o doutor. A outra, não menos contundente, do também ex-craque e integrante da seleção de 1970, campeã no México, Paulo César Caju. “Achei a convocação um desastre (...). Quase caí para trás quando me disseram que o Kléberson está na lista. Não se ganha a Copa com um monte de jogadores bonzinhos, e sim com jogadores que resolvem (...)”, bateu e disse o PC! Paulo Henrique Ganso, Neymar, os meninos da Vila que jogam como gente grande, e até o dentuço Ronaldinho Gaúcho, todos fora. Virtuoses da bola não têm vez com o “anão” de cabelo espetado. Para ele, só interessam os “brucutus comprometidos” (com o quê mesmo?), volantes de maus bofes dispostos a quebrar a bola tão logo surja uma oportunidade. A desculpa para não chamar os dois jovens talentos santistas foi a de que eles só começaram a brilhar muito tarde e que, dessa forma, não deu tempo testá-los em jogos com a camisa amarela. Bobagem total! Ambos já deram inúmeras provas de amadurecimento. Sacanagem pura e simples! Pela primeira vez, em rede nacional, eu vi um anão afogando um ganso! (Publicada no site www.grandearea.com - 13 de maio de 2010) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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