Francisco Dandão
 
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  Um santo, vários santos...  
         
 

Francisco Dandão

santos e Santo André. Final do campeonato paulista de 2010. Domingo abafado na capital bandeirante. Acordo pensando em ir ao Pacaembu. Mas logo desisto quando descubro, pela internet, que os ingressos estão esgotados. Minimizo o fato. Pela televisão pode ser bem melhor. Não precisarei sair do ponto A para o ponto B. E ainda tem replay.

       Primeiro tempo duríssimo. Exatamente como convém a uma final. Os chamados meninos da Vila não têm refresco. O pessoal da região do ABC quer mais é comer o fígado das crianças frito na banha do mosquito. Nenhuma moleza para a insustentável leveza do ser de Robinho e Neymar. Muita oração para proteger as traves de Júlio César. Vantagem da zebra.

       Intervalo. Pernas da artilharia litorânea amarradas com nós cegos. Corro para as enciclopédias religiosas dispostas no espaço virtual. Quero saber mais sobre essa santidade que responde pelo nome de André. Origens, família, em nome de que pai o dito cujo se apresenta... E quero saber se é mesmo bom de milagres, como demonstrou no primeiro tempo.

       E nessas de pesquisa, fico sabendo que se trata de um dos doze apóstolos que seguiu Jesus nas pregações da palavra sagrada. Que era irmão de Simão Pedro, outro dos apóstolos do Filho do Homem. Fico sabendo também que ele foi o primeiro dos discípulos a ser chamado por Jesus. E fico sabendo, ainda, que antes de ser apóstolo ele era pescador.

       Santo milagreiro, o André da cidade do mesmo nome, vizinha da capital. Viajo na maionese e penso que o time do Santos entrou numa bela enrascada. Por mais que os seus impúberes tenham maravilhado o Brasil nos últimos meses, com exibições acima de qualquer suspeita, contra um apóstolo milagreiro talvez não tenha reza de padre velho que possa ajudar.

       Ainda mais que Santo André, de acordo com a minha pesquisa, originalmente era pescador. Continuo viajando na maionese citada no parágrafo anterior. O raciocínio é até muito simples: se André era pescador, o destino do Santos, que é peixe, como bem demonstra o seu mascote (uma baleia, pra ser preciso), só pode ser, na sequência, uma rede e uma panela.

       E como se não bastasse, esse Santo André do futebol tem uma senhora folha corrida de outros milagres. O maior deles? Aquela decisão da Copa do Brasil de 2004, contra o Flamengo, com a segunda partida marcada justamente para o templo sagrado do Maracanã. Missão impossível. Parecia coisa para Tom Cruise. Dois a zero no urubu malandro.

       Segundo tempo. As curvas da estrada entre a capital e a baixada agora são uma enorme reta, ligando passado e presente num ponto único do espaço futuro. Anos 60: Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Século XXI: Robinho, Paulo Henrique, Wesley e Neymar. Santo André faz milagres. Mas o Santos não é só um, são muitos. A luta é desigual! E tome virada!

(Publicada no site www.grandearea.com - 26 de abril de 2010)

 
         
         
 
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© Francisco de Moura Pinheiro