| Matemática peculiar | ||||
| Francisco Dandão
Primeiro com o gaúcho Internacional. Depois de vencer a chamada partida de ida, em Porto Alegre, por um a zero, o Inter foi a Buenos Aires para empatar ou perder por diferença de um gol (desde que marcasse algum). Do outro lado os atuais campeões da competição, o Estudiantes de La Plata, liderados por ninguém menos do que o grande maestro Verón. Ligeirinho, ainda no primeiro tempo, os argentinos abriram dois a zero no placar. Parecia que o Estudiantes ia avançar para a fase seguinte, numa boa, provando que a freguesia brasileira continuava valendo em se tratando do torneio continental. Ledo engano. Nos minutos finais do confronto, o atacante Giuliano fez o golzinho salvador para o Internacional. O vencedor Estudiantes ficou com as batatas. Perdeu a classificação e ainda perdeu a cabeça (argentino derrotado e conformado ainda vai demorar muito para aparecer), abrindo um samba de peia pra cima dos jogadores brasileiros. Os caras lá das beiradas do rio da Prata deram tanto que chegou a sair sangue. O perdedor apanhou, mas saiu comemorando. Em sentido diametralmente oposto, em se tratando de clubes aqui da pátria amada, no segundo exemplo de ganhar e não levar, quem se deu mal foi o Flamengo. Aparentemente recuperado da vergonhosa derrota no Maracanã, para o Universidad, o rubro negro carioca partiu como um movimento tectônico para cima dos chilenos, em plena capital Santiago. Nem o gordo imperador Adriano (existe algum imperador magro?), nem o artilheiro do amor (pra mim um artilheiro tem mais é que ser cruel, impiedoso, jamais amoroso), com aquelas pupilas querendo alcançar as próprias pestanas, foram capazes de evitar o desastre. Frustração mais ou menos como aquela que esse mesmo Flamengo imputou ao Coringão! Um ET que tivesse acabado de chegar ao planeta Terra, cuja nave houvesse descido no meio de um desses dois jogos, não iria entender coisa alguma. Mandaria um relatório aos seus superiores dizendo que os humanos são todos loucos. Danam-se durante uma hora e meia a lutar por um determinado objetivo e, ao final, perde aquele que se sai melhor. É isso. Na matemática peculiar do futebol, ao vencedor não é garantida a comemoração. Menos mal, no que diz respeito à Libertadores, que nós já temos a certeza de um brasileiro (São Paulo ou Internacional) na disputa do título. E menos mal também (isso é quase tão bom quanto vencer) que todos os argentinos já foram eliminados. Adelante, muchachos! (Publicada no site www.grandearea.com - 22 de maio de 2010) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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