Francisco Dandão
 
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  The end!  
         
 

Francisco Dandão

de passagem por Rio Branco para participar do Intercom Regional, aproveito para botar os assuntos em dia. Dessa forma, marco encontro no Boteco (assim mesmo com maiúscula, por ser o nome do lugar) com o meu editor Manoel Façanha, na noite de quarta-feira. Como o Boteco é vizinho do jornal O Rio Branco, o Façanha só teve o trabalho de pular o muro.

     Meia dúzia de cervejas (mas daquelas pequeninas, viu?) e mais alguns “martelinhos” foram mais do que suficientes para o meu informante me contar tudo sobre o campeonato acreano de 2010, prestes a viver seus dois últimos capítulos. Rio Branco e Nauas no duelo final, a capital e o interior lutando pelo título, vermelhos de um lado e amarelos do outro.

     A conversa transcorreu na base da pergunta e da resposta. Longe da cidade nos últimos meses, algumas coisas eu não conseguia compreender. E assim, enquanto a gente refrescava o hálito na boca da noite quente, embalados pelas cenas da vitória do Fluminense contra o Flamengo, eu desvendava alguns mistérios que aguçavam a minha curiosidade.

     Minha indagação principal ficou por conta do que teria acontecido com o anel mágico que o técnico Marcelo Altino, do Plácido de Castro, ganhou de uma cigana peruana, mas que não teve o poder de fazê-lo passar para a fase semifinal do campeonato. Façanha disse que não tinha certeza absoluta, mas que duas hipóteses ecoavam nas gargantas dos “arquibaldos”.

     A primeira hipótese é a de que o anel teria prazo de validade determinado e acabara justamente após o jogo contra o Juventus. A segunda, sempre de acordo com o Façanha, é a de que a cigana teria avisado ao Marcelo Altino que ele não poderia usar o anel e um crucifixo ao mesmo tempo, coisa que ele se negou a obedecer de forma irreversível.

     “Mas eu acho, professor, é que o anel era falso. Essa história de que veio do Peru era papo furado. Pra mim, o mago comprou a bijuteria foi no Paraguai, de um ambulante especializado em churrasquinho de gato”, confidenciou o editor depois de mais uma dose de martelinho e abaixando a voz para que as suas palavras não fossem escutadas na mesa ao lado.

     Não sei onde o Façanha foi buscar essa tese, mas ele me pareceu bastante convicto do que dizia. Tanto que ao ouvir os meus protestos de que um mago não seria enganado assim tão facilmente, o meu amigo e afilhado não conseguiu esconder uma certa irritação. Estado de ânimo que se exacerbou no momento em que Flamengo fez o seu golzinho de honra.

     Mudei de assunto e perguntei se ele apontaria um favorito ao título, se dava pra gente apostar as economias em algum dos envolvidos... Resposta: “Professor, o campeonato acreano é como um filme de faroeste, onde o Rio Branco, como bom xerife, acaba matando todos os pistoleiros que cruzam o seu caminho... E ainda beija a mocinha no final”. The End!

(Publicada no jornal O Rio Branco - 30 de maio de 2010)

 
         
         
 
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© Francisco de Moura Pinheiro