| Conspiração e prognóstico | ||||
| Francisco Dandão
De acordo com esses bruxos da bola, só os torcedores muito neófitos ou irremediavelmente apaixonados (tanto faz uma coisa ou a outra) não vêem os sinais das “armações” para não deixar algumas seleções vencerem. E ainda dizem que faz muito tempo que tudo é decidido com bastante antecedência, sempre levando em conta os interesses da máfia da bola. Ninguém diz exatamente quem faz parte dessa máfia, mas a maioria desses tais teóricos lembra passagens como a Copa de 1966, que não poderia ser vencida de jeito nenhum por outra seleção que não fosse a dos súditos da Rainha, bem como aquela tristemente célebre Copa de 1978, quando nada poderia ser feito para tirar o título dos militares argentinos. Em 1966, é bem verdade, os inventores do futebol foram campeões com gol em que a bola nem chegou a entrar (o vídeo tape tem sido repetido à exaustão ao longo dos últimos quarenta anos). E é bem verdade, também, que em 1978, não fosse a goleada vendida pelos peruanos, os portenhos dançarinos de tango sequer teriam chegado a disputar a partida final. Além dessas duas copas, quando se fala nessa coisa de conspiração, não se deixa de lembrar a Copa de 1998, quando um mal-estar súbito (e até hoje não convenientemente explicado) quase tirou o Ronaldo Fenômeno da final contra a França. O resultado todo mundo sabe muito bem: Paris varou a noite entoando a Marselhesa, livre, fraterna e igual para todo o sempre. Nessa linha de raciocínio, o que se anda comentando nos dias que correm é que não existe chance de o Brasil trazer para o hemisfério sul o tão sonhado hexacampeonato mundial. Motivos não faltam para os teóricos da conspiração garantirem esses maus presságios. Começando pela bola a ser usada na competição e terminando pelo técnico escolhido pela CBF. Da bola, dizem as “cassandras”, basta ver o que falam o goleiro Julio César e o artilheiro Luis Fabiano. Ambos reclamaram veementemente da chamada “deusa branca”. Logo o goleiro e o centroavante? Péssimo sinal! Do técnico, nem se fale. Esse seria um espião plantado por uma república de anões, todos volantes de cabelos espetados e estrábicos por natureza. E então, quem ganhará a Copa? Os teóricos se calam quando lhes é feita a pergunta assim de forma direta. Mas asseguram que além de não ser o Brasil, também não será a Argentina (os “milicos” não podem mais ajudar), muito menos a Inglaterra (porque agora só vale gol em que a bola entra), tampouco a França (os raios não gostam de cair no mesmo lugar). No meu entender, sobrariam, então, dois azarões: a África do Sul (politicamente seria perfeito, como homenagem a Nelson Mandela!) e a Coréia do Norte (fechada, misteriosa, proibida, “bombástica”!). Hein? (Publicada em www.grandearea.com - 8 de junho de 2010) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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