| Alternando sentimentos | ||||
| Francisco Dandão
Pois muito bem. Eu adorei a “lapada” que os mexicanos deram nos descendentes de Charles De Gaulle (aquele sujeito que um dia disse que o Brasil não era um país sério, lembram-se?). Vão voltar para Paris fedendo a gambá. Não tem perfume francês capaz de lhes proporcionar bons odores às suas narinas perdedoras. Zapata derrubou e ainda pisoteou a Bastilha! Mas, em compensação, eu detestei a surra que os argentinos sapecaram nos coitados dos coreanos do sul. Coisa mais sem graça. Quando os orientais meteram aquele seu golzinho chorado, eu cheguei a pensar que vinha uma reação pelo caminho. Ledo engano: o time do bufão canhoto desandou a fazer tantos gols que eu tive que desligar a televisão. Adorei, entretanto, aquelas penas de frango grudadas nas mãos do goleiro da Inglaterra, no jogo contra os Estados Unidos. Para mim, os súditos da rainha, descendentes diretos do lendário rei Arthur, não passam de esnobes, que só ganharam uma Copa quando esta foi disputada nos seus domínios. E mesmo assim com a ajuda descarada dos homens do apito! Por outro lado, detestei a peia da África do Sul frente ao Uruguai. Tá certo que a Celeste Olímpica é nossa vizinha e que os seus jogadores são verdadeiros caudilhos na defesa das suas cores... Tá certo que o Lugano é um trator na defesa e o Forlan é um atacante que não desiste nunca... Mas os anfitriões, tão animadinhos... Para mim, eles mereciam melhor sorte... A goleada que os espanhóis levaram dos suíços (um a zero aplicado por suíços, tão adeptos de retrancas ferozes, soa como goleada, sim senhor)? Adorei! Os sujeitos pisaram o continente africano literalmente como campeões do universo. Fecharam a primeira partida dançando de cuecas, ao compasso daquela canção que celebra as “touradas de Madri”. Sobre a atuação do Brasil, eu alternei esses sentimentos de aversão e amor. A turma de volantes, a teimosia do anão, a dificuldade para vencer a retranca coreana, a péssima forma técnica do Kaká... Isso tudo eu detestei! Já quanto aos gols do Maicon e do Elano, as pedaladas do Robinho, a disposição do Nilmar e do Ramires... Isso eu confesso que gostei bastante! Pois então é isso. Certamente eu vou continuar amando umas coisas e detestando outras, no correr desses dias, até o fim dessa Copa do Mundo no continente africano. Só espero, como é normal em qualquer um que não seja masoquista, que as coisas boas superem as ruins. Que as zebras da Costa do Marfim permaneçam enjauladas neste domingo... Amém! (Publicada em www.grandearea.com - 18 de junho de 2010) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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