| Péssimos começos, piores finais | ||||
| Francisco Dandão
Han, han, não gostei desse parágrafo... Vou começar de novo. Excelente, Brasil! Quem precisava vencer era Portugal. Os filhos de D. Manuel é que precisavam dos três pontos. Os gajos, entretanto, tal como a formiga do provérbio, sabem muito bem a folha que cortam. Ficaram prudentemente na defesa e garantiram sua passagem para as oitavas de final. Morrerão de velhos de tão seguros. Um olho na bola outro nas calças! Hum... Acho que piorei o início da crônica... Começarei outra vez. Esse zero a zero entre Brasil e Portugal era parte do primeiro acordo celebrado entre os dois países. Isso ainda em 1500, quando Pedro Álvares Cabral desembarcou numa praia da Bahia e se apaixonou por um pau vermelho que os índios usavam nos seus rituais. O documento foi assinado logo depois daquela missa que aparece nos nossos manuais escolares. Releio o parágrafo e acho que continuei piorando. Recomeçarei. A seleção brasileira, contrariando o que a maioria dos críticos (principalmente os repórteres da Rede Globo, detratores juramentados do estrategista Dunga) vem afirmando ao longo dos últimos meses, finalmente encontrou o seu ponto de equilíbrio. Esse ponto é justamente o número “zero”, de onde se pode partir tanto para a esquerda como para a direita. Putz! Cada começo ficou pior do que o outro. Escreverei o final. Pois bem. Agora que passou a fase onde os erros poderiam ser consertados, e que vão começar os chamados jogos mata-mata, vamos ver se o Brasil engrena de vez e tritura os adversários que aparecerem pela frente. É agora que deve começar a verdadeira escalada rumo ao hexa. Agora ou só daqui a quatro anos. Eu acho que é melhor que seja agora. Muito ufanista, esperançoso demais. Vou reescrever esse final. É isso. Aos trancos e barrancos (como é normal para um time que alinha tantos “volantes” no seu meio campo), o Brasil passou para as oitavas de final. E nem adianta o argumento que passou em primeiro lugar. O que realmente importa é que a seleção do Dunga tem feito jogos sofríveis. Que Deus nos proteja. Ou então que vá tudo logo pro inferno! Muito místico, muita divindade metida no meio. Tentarei outro final. Enfim, a primeira fase dessa Copa reafirmou o que muita gente já vem dizendo há tempos: não existe mais nenhum tolo no futebol (com exceção da Coréia do Norte, que deve estar mais preocupada em dominar o átomo do que meter bolas nas caçapas inimigas). Assim, só nos resta torcer, acender velas e amarrar todos os santos milagreiros de cabeça para baixo. Muito conformista, muito passivo. Farei uma última tentativa. Farei? Farei nada. Desisto por aqui. Começos ruins, finais piores. Tal e qual os caras de camisa amarela sob o comando do “zangado”. Tal e qual! (Publicada em www.grandearea.com - 25 de junho de 2010) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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